Grãos de areia

Letícia Thompson

Somos todos tão iguais e nos vemos tão diferentes! E quando nossos sentimentos se cruzam com o que lemos ficamos surpresos...


Não somos os únicos a sentir dor; não somos os únicos a sentir medo, insegurança... não somos os únicos a temer o desconhecido, a sentir decepção, a chorar de tristeza, a ficar na dúvida, a não saber que decisão tomar e recear ter feito a escolha errada...


Sofremos mais porque nos vemos sós. Porque temos dificuldade em imaginar que outras pessoas passem por caminhos parecidos com os nossos. Porque nos fechamos no nosso quarto e em nós... nos sentimos tão miúdos que dificilmente imaginamos que fora da nossa janela outros seres sentem-se pequenininhos também, cada qual sozinho na sua dor e solidão. A auto-piedade que nos devasta, assola milhares de eus espalhados por aí.


Vistos do alto, somos apenas pequenos pontos, grãos de areia no mar da vida, tremendamente parecidos. E a chuva, quando rega a terra, não escolhe cabeça; o sol ilumina tudo por igual e a lua pode encantar qualquer um.


Somos todos sim iguais na alma, na pequenez e na grandeza; Eu choro também, me comovo, morro um pouquinho a cada dia e renasço na minha fé. Desanimo de vez em quando e ergo a cabeça logo depois; espero impaciente o nascer do dia e faço planos pro dia seguinte. Me faço mil perguntas para as quais não encontro respostas.
Somos assim, tão iguais eu e você e tantos outros!... A prova disso é que você se identifica com o que digo.


Se a emoção que aperta meu peito, aperta o peito de quem me lê, é porque somos feitos do mesmo barro. E se posso ver e crer na vitória e ultrapassar meus limites é porque todo mundo, cada um pode. Podemos conjugar todos os verbos em todos os tempos!


É verdade que o sol não nasce e não se põe pra nós no mesmo momento, mas isso não muda em nada a verdade de que somos assim maravilhosos e importantes grãozinhos de areia aos olhos de Deus.

Os gestos também falam

Hoje eu falo de gestos. O que eles dizem, sem que tenhamos a necessidade das letras. Não creio que existam analfabetos de gestos, pois que uma simples presença é capaz de dizer muito.
Outro dia um casal de amigos meu, perdeu um filhinho. Doeu meu coração. E eu também fiquei assim, sem saber o que dizer, por que eu também queria entender e, sobretudo, aceitar. E todas as palavras fugiram de mim e fiquei me perguntando o que iria dizer. Daí, disse o menos possível. Peguei o telefone e simplesmente disse: estou aqui. E ela respondeu: nós sabemos.
Muitas vezes é suficiente que as pessoas saibam da nossa presença. Eu já percebi que não existem muitos anjos tagarelas. Mas sabemos da presença deles e nos sentimos reconfortados. Devemos nos comportar dessa forma também quando não soubermos muito bem o que dizer: em silêncio seguramos as mãos e ficamos ali.
Aqui vai nosso texto. Uma forma de mostrar que absolutamente todo mundo pode ser útil a alguém nos momentos difíceis.

Os gestos também falam

Letícia Thompson

Quando as palavras calam, os gestos falam.

Vivemos às vezes situações em que as palavras parecem desaparecer do nosso vocabulário. Elas ficam todas emboladas no nosso estômago, sobem até a garganta e não sabemos, não temos idéia de como colocá-las para fora. São muitas vezes quando nossos amigos mais precisam de nós. E, justamente, é aí que encontramos essa barreira. Não sabemos o que dizer, não temos explicação aceitável para o sofrimento, temos medo de falar algo que não devemos e nos quietamos.

Achamos com facilidade palavras, repetidas e gastas mesmo na maioria das vezes, para expressar nossa alegria, nosso desejo de felicidade ao outro e não nos importamos se alguém já disse ou não. Pegamos emprestadas essas frases corriqueiras e fazemos delas nossa mensagem. E nossos amigos recebem isso de coração aberto, sorriso estampado, porque eles fazem também uso disso. É de praxe, é normal, é gentil, é nobre. É milhões de vezes melhor que o esquecimento.

Nossa grande dificuldade é expressar em palavras de consolo quando nós mesmos temos um coração moído pela dor de ver o sofrimento do outro e termos a consciência que não podemos fazer nada!

Vai passar, sabemos disso, pois todas as dores passam, como passam as noites de lua e os dias de sol. Nada é estável e constante.

E queríamos tanto encontrar as palavras exatas que amenizasse o sofrimento, que trouxesse consolo imediato, que anestesiasse ou curasse de vez! E lá, nesse exato instante, as palavras morrem.

Mas eis um segredo que só os anjos conhecem: os gestos falam!

Flores falam muito. Um beijo fala. Um afago fala de voz doce e suave. Uma presença, mesmo calada, fala demais. Um abraço fala muito alto. Um olhar sincero diz tanto! Uma mão que segura outra mão fala como várias bocas e centenas de corações...

Quando as palavras se recusarem a sair de você, fale com gestos. O outro compreenderá.

Seja você o anjo calado que vai trazer um lenço e vai ficar do lado para o outro se sentir menos sozinho. Dar de si vale mais que todas as palavras do dicionário juntas. E nesses instantes, Deus se cala também. Ele se contenta, como nós, de olhar com ternura e Ele sente prazer em nós.

A glória de Deus
Letícia Thompson

 

Há pessoas que esperam ansiosamente pela glória de Deus;

há pessoas que vivem em busca da eternidade e de promessas de uma vida melhor e belezas que nossos olhos verão;

há pessoas que sobem em montanhas para se sentirem mais perto de Deus;

há pessoas aguardando o amanhã como se o hoje não existisse.

E portanto...

A glória de Deus está espalhada por toda a terra em cada coisa que Ele criou; há algo de majestoso, sublime e belo em cada pétala de flor, em cada gota de oceano, em cada pedacinho da natureza e... no próprio homem!

A eternidade é apenas a continuação de uma vida e não o objetivo dela; as bênçãos prometidas devem ser recebidas e gozadas no presente e não posso imaginar algo mais belo e suntuoso que esse jardim maravilhoso chamado Terra, onde o Senhor nos plantou como seres superiores.

Deus é onipresente. Ele em Si está em toda parte. É possível encontrá-lo em meio a uma multidão ou em um deserto. Não nos afastamos dEle quando descemos uma montanha... nos afastamos quando deixamos de amar. E mesmo assim Ele aguarda, imutável, que abramos novamente nosso coração.

Não existe um amanhã perfeito sem um hoje bem vivido. Nosso amanhã é a casa que construímos hoje com nossas atitudes, nosso viver, nosso comportamento, nossa visão do mundo e das coisas. O amor que espalhamos, o bem que fazemos, o olhar que dirigimos às belezas que Deus criou e colocou à nossa disposição, são tijolinhos que, juntos, vão construindo nosso abrigo diante do Pai.

E a glória de Deus está aqui, agora. É suficiente abrir os olhos...

Mágoas não desaparecem num passe de mágica. Palavras jogadas e recebidas gravam-se em nós até mesmo quando dizemos que não querendo consertar uma situação. O tempo passa e o coração continua o mesmo. Pequeninas coisas vão se acumulando, até que um dia não se podemos mais respirar, explodimos ou morremos sufocados.

A comunicação no dia-a-dia, na hora certa, com maturidade, apesar das dores, vai eliminando os lixos que envenenam pouco a pouco os relacionamentos.
Saber o que o outro pensa, o que sente, não sabemos. Mas quando as coisas
são ditas, de maneira adulta, elas tornam-se menos importantes e as relações tornam-se mais saudáveis. Adivinhamos e sabemos que o amor do outro não é aquele que nos suporta, mas o que nos acolhe, mesmo se somos quem e o que somos. E vice-versa.

Hoje escrevi sobre o acúmulo de coisinhas que envenenam as relações amorosas e as amigáveis. Espero que seja de alguma utilidade:

Que o Senhor os proteja, dando bênçãos inúmeras!

Um abraço tão grande quanto essa distância física entre nós.

Letícia

Gota a gota

© Letícia Thompson

Em todo relacionamento não existem coisas grandes, pequenas e insignificantes. Nos verdadeiros relacionamentos, tudo é grande.

Nosso erro é justamente pensar que existem coisas que não devem ser levadas em consideração, que podem ser deixadas pra trás, que vão passar com o tempo e serão esquecidas.

Coisas pequenas podem incomodar tanto ou mais quanto as grandes. Quem já viu o tamanho de uma pedra que maltrata os rins ou a vesícula sabe do que falo.

O acúmulo das pequeninas coisas dia ou outro vai acabar estragando o relacionamento. Quando a gota que fizer transbordar o vaso chegar, a queda será inevitável.

Quando vemos pessoas que se separam, em amor e amizade, de uma hora pra outra nos surpreendemos. O que não podemos imaginar é o quanto o coração daquelas pessoas estava cheio de pequeninas coisas mal resolvidas.

A gente vai acumulando mágoas, deslizes, nos dizemos que estamos perdoando, que iremos nos esquecer. E um dia, por um motivo às vezes mínimo, tudo explode, tudo sai, tudo o que estava esquecido reaparece. E ainda pior, pois enraizado em nós, atinge o outro como uma bofetada.

O coração não esquece assim tão facilmente se ele mesmo não soube compreender, aceitar e perdoar.

Assim como nosso estômago, ele precisa também digerir. Conversas que ficam para o dia seguinte são problemas adiados. O amor, por mais imenso que seja, também sofre.

Devemos ter o cuidado de tirar a cada dia, cada ocasião, as pequenas ervas daninhas que envenenam pouco a pouco nossas relações. Uma boa comunicação, aberta e franca, pode até magoar no momento, causar choro e desgosto. Mas pode também salvar os relacionamentos.

Se grãos devem encher nosso coração, que sejam eles então os do amor, sinceridade, ternura, franqueza, momentos de felicidade. E que ele transborde, pleno e cheio de vida!

Horas perdidas

Começar o dia falando de saudade faz bem. Bem e mal ao mesmo tempo. Mas é um mal gostoso, desses assim que a gente gosta de sentir. Se sentimos saudade é que tem gente habitando nosso coração, então já não estamos sozinhos.

Criamos em nós e com nossos relacionamentos episódios da vida, bons ou maus. Escolhemos caminhos, escolhemos pessoas, escolhemos formas de vida, maneiras e jeitos e saímos por aí vendo o nascer e o pôr do sol. Nossas escolhas presentes condicionam nosso futuro, como as do passado condicionaram o que vivemos agora. Então, baseados nessas experiências vivenciadas, podemos melhor selecionar o que nos convém, o que nos faz felizes, o que nos torna melhoes. Ninguém pode e nem deve viver de arrependimentos, pois esses envenenam a vida. Mas tirando dele o proveito, vamos moldando nosso vaso diário para que a vida se torne, pelo menos a nossa volta, mais bonita.

Se o ser humano entendesse o quanto o seu poder é ilimitado, ele choraria menos, conseguiria mais. Mas esse poder nada tem a ver com força física, é algo que vem de dentro pra fora, como a água da fonte que jorra e mata a sede. E cada minuto do dia podemos decidir que será melhor, podemos decidir que dividiremos com alguém para sairmos acrescentados, deixaremos neles e carregaremos em nós pedacinhos de bons momentos, esses que costumamos chamar de saudade e que rima tão bem com felicidade...

Hoje meu texto fala sobre saudade sem citá-la propriamente. Apenas aqueles que lêem nas entrelinhas compreenderão:

Horas perdidas

© Letícia Thompson

Ai!... se ontem eu soubesse como aproveitar cada segundo do meu dia, faria muita coisa diferente.

O minuto que passou ou foi aproveitado, ou jogado fora. Ignorado, como se ele não tivesse sua importância, como se não fosse somado a outros e tornado algum tempo da minha vida inerte.

Acho que nos dias passados eu deveria ter abraçado ainda mais forte as pessoas que amo e as que me amam. Também as que perdoei e tiveram esse mesmo carinho para comigo. Eu teria sentido seus corações e o calor dos corpos que nenhuma outra fonte no mundo pode igualar.

Se pudesse voltar o tempo, não iria dormir zangada por causa de orgulho, este mesmo que me deixou contente por ter razão, mas triste com o vazio de me sentir sozinha. Eu diria a ele, com ar seguro, para ir pra bem longe porque o que importa mesmo são meus preciosos minutos de felicidade e que esses eu quero beber com gulosa sede!

Horas perdidas ficam para trás e não vou perder tempo pensando nelas. Só vou é tirar proveito das lições que me passaram e vou olhar mais nos olhos dos que falam comigo, fazer com que se sintam especiais (mesmo por que o são)... vou ser mais tolerante com os que ainda não aprenderam essa lição, vou pegar mais as mãos, pois essas falam pelo coração e vou seguir minha vida...

Vou sim, seguir em frente, construindo, pelo menos para mim e para os que me cercam, um mundo onde todas as horas serão floridas, acrescentadas de felicidade.

Esses dias que passei no Brasil foram maravilhosos. Pude abraçar e ser abraçada, sentir na pele mesmo o carinho de muitos de vocês. Amei cada pessoa que encontrei, cada lugar que estive. Me encantei com Bauru e pessoas tão receptivas, me surpreendi com lindas visitas inesperadas. Eu possuía um certo receio de decepcionar os que não me conheciam pessoalmente e tudo o que encontrei foi carinho dobrado. A cada um o meu obrigada do mais profundo do meu coração.

A Alceu e Danuza Rodrigues me faltam palavras por tanta gentileza. Eliane Gonçalves, pequenina de tamanho, mas de coração imenso, em homenagem a você eu abriria janelas e mais janelas com lindos campos floridos. Patrícia Paes, simpática e linda de corpo e alma, meu obrigada também.

E falta espaço pra citar todo mundo. Então fico por aqui, apenas quero que saibam que cada abraço que dei e recebi ficou em mim. As fotos não negarão, mas de qualquer forma meu coração nunca se esquecerá. Obrigada a cada um de vocês!!!

Um maravilhoso e abençoado dia a todos! E que os minutos de cada um nesse dia de hoje possam se tornar maravilhosas horas que os sustentarão no amanhã!

Que o Senhor os abençoe!!!

Com muito, muito amor e o coração cheio de saudade,

Letícia

Ter satisfação é estar de bem consigo e com a vida. Ver o mundo colorido e sair distribuindo arco-íris ou deixando atrás de si pétalas de perfumadas flores. Uma pessoa feliz contagia seu redor. Se lágrima é contagioso (pelo menos para alguns e não me digam que não!) o riso também o é. Ah, as escolas do riso fazem sucesso e difícil manter-se sério mesmo quando se trata de uma simples emissão sobre o assunto.

E são essas coisas assim que vão tocando umas pessoas e depois as outras que chamamos de relações humanas. É onde o sensível toca o sensível e o insensível, ou endurecido pelas asperezas da vida, coloca barreiras. Há pessoas que preferem, sim, se consagrar a objetos, outras a animais que até exigem um pouco e dão em retorno o simples e natural reconhecimento, sem exigir mais. Mas humano é humano, pessoas são pessoas... e qualquer que seja o ambiente onde vivemos ou trabalhamos, o relacional influencia nos acontecimentos. Empregados satisfeitos produzem mais, pais felizes são mais abertos e filhos que se sentem amados e seguros, mais carinhosos e mais preparados para a vida.

Lembro-me de ter visto há muito tempo uma campanha sobre a paz onde havia o globo terrestre e em volta dele as pessoas dando-se as mãos, numa corrente fechada. Não havia pessoas em cima de outras, ninguém pisava, ninguém se sentia massacrado. Isso seria o ideal para a humanidade: esse reconhecimento de igualdade no que toca a alma, ao sangue, à sensibilidade, à vida e a morte. O respeito devido a todos, de igual para igual. Quando nos sentimos valorizados naquilo que fazemos, damos mais de nós, se não para produzir, para merecer esse reconhecimento e o resultado é sempre o mesmo: todo mundo sai ganhando!

Decidi falar um pouco hoje sobre as relações humanas ou o que toca no humano nas suas relações. Eu sei, é um assunto vasto, mas coloquei aqui uma gotinha do que penso. E espero que seja de algum proveito:


O humano nas relações
© Letícia Thompson

Relações humanas é um assunto atual. Nunca se falou tanto, nunca se debateu tanto e nunca, provavelmente, as pessoas estiveram tão perdidas nesse mesmo assunto, onde cada qual busca a satisfação e engrandecimento pessoal em desfavor do que está ao seu lado.

As pessoas querem crescer, evoluir, provar a si e aos outros que podem, que são, que chegarão a algum lugar e para muitos pouco importa o preço.

Todos querem construir... mas esquece-se que nada se constrói sozinho e que o fator humano não só é importante, mas é essencial na fundação de qualquer obra.

A distância física, intelectual ou financeira não separa tanto as pessoas quanto as barreiras emocionais, essas mesmas que fazem com que as pessoas sinta-se gigantes ou minúsculas.

Nas empresas, a pirâmide serve não só para mostrar quem está em nível mais elevado, mas, sobretudo, os que estão nas mais baixas escalas. Porém, quando se trata da parte emocional, não existe pirâmide. O respeito ao ser humano não depende de grau de inteligência, idade ou diplomas obtidos. Nessa área, todos encontram-se na mesma linha, sempre horizontal.

As empresas, entidades, grupos ou sociedades que compreenderam isso, vêem a produtividade aumentar, pois a satisfação gera a motivação. As pessoas que não precisam gastar suas energias com sentimento de desvalorização, ocupam essas mesmas energias para o progresso. Todo mundo ganha com isso.

As pessoas grandes abrem-se e não têm medo de perder, por que dar de si é também estar aberto a receber.

É importante sentir-se bem em qualquer ambiente. É importante sentir-se gente, ser outra coisa além de uma profissão, uma máquina que gera lucro. É importante cuidar das pessoas com mais carinho do que se cuida de objetos.

É muito importante, para um mundo mais humano, ser mais humano nas relações.

Senti saudade de vocês. Muita. E penso que saudade é assunto para a próxima atualização, então vou evitar de falar agora, pois muitas vezes começo e não sei parar.

Tenham todos um abençoado dia e que o Senhor possa estar cuidando de cada um segundo as suas necessidades. Estou agora com cinco horas de diferença para a maioria de vocês, mas meu coração continua pertinho, bem pertinho. O bom da net é que com ela a gente só conhece a distância física...

Deixo aqui meu carinhoso abraço,

Letícia

Quem ama não sufoca, mesmo que queira para si. Quem ama, ama por si e pelo outro, pelo seu desejo de vê-lo feliz, que deve representar parte da sua própria felicidade.Quem ama tem o direito de ter um pouquinho de ciúme, mas sem cortar do outro o direito de ter seu jardim secreto que, no fim das contas, é necessário e útil.

Há relacionamentos que morrem, por que um cobra demais do outro. Confunde-se amor e fusão, o que é um erro, pois na fusão há perda de identidade e no amor deve haver enriquecimento de cada uma das partes.

Cada um de nós deve ter na vida o direito ao seu jardim secreto. E isso em qualquer relacionamento. Casamentos não são contratos indissociáveis onde um deve prestar contas ao outro e segui-lo tal uma linha; amizades sinceras, grandes e verdadeiras também não são. Quando há amor, há respeito. E toda relação sã pede isso. Estar só de vez em quando é muito bom. Ajuda a colocar as idéias no lugar e ajuda a saber também quando o outro nos faz falta.

O texto de hoje fala sobre esse tema e espero que apreciem:

O jardim secreto de cada um
© Letícia Thompson

Há dentro de todos nós essa necessidade de ter em algum lugar nosso jardim secreto, não onde vamos confinar nossos segredos, mas onde podemos ter um encontro real e exclusivo conosco.

Umas pessoas sentem mais essa necessidade que outras, mas estar consigo de vez em quando, interiorizar-se, colocar ordem nos pensamentos ou simplesmente abandonar-se, é vital ao equilíbrio de todos nós.

Em todo relacionamento onde o amor existe, esse espaço deve ser conservado como o limite de cada um. Os relacionamentos fusionais que ultrapassam essas barreiras acabam por destruir-se, pois amar é também respeitar que a outra pessoa tenha seu recanto, seus pensamentos e, por que não, seus próprios amigos, próprias idéias e sonhos.

As pessoas não precisam estar juntas cem por cento do tempo para provarem que se amam. Elas se amam por que se amam e pronto. Dar ao outro um pouco de espaço, um pouco de ar para respirar, é dar-lhe também a oportunidade de sentir falta de estar junto. E isso vale tanto para os amores como para as amizades.

As cobranças intermináveis, resultados de carências afetivas, acabam por sufocar a outra parte e cria na que pede, espera, implora, ansiedades que a tornarão infeliz, pois ela verá como desamor qualquer gesto que não corresponda ao que espera.

Amar é deixar o outro livre para ficar ou para se retirar. É respeitar seu silêncio e seu desejo de solitude. E é deixá-lo livre para ir e voltar quando o coração pedir, que isso seja numa cidade ou dentro de uma casa.

Nada impede que um grande e lindo jardim seja construído juntos e que de mãos dadas se passeie por ele, com o peito cheio de felicidade e a cabeça cheia de sonhos... mas ainda assim, o jardim secreto de cada um deve ser mantido como lugar único e que vai, no fim das contas, enriquecer as relações.

Fiquem mais uma vez na Paz de Cristo
e que tenham uma bela semana, cheia de alegrias e muita coragem,
se preciso for.

Um carinhoso abraço,

Letícia

Difícil é definir uma mãe, mesmo com todas as nossas tentativas. Mães perfeitas não existem, mas de mães que tentam dar o melhor de si o mundo está cheio. Mães exemplo? São aquelas que sofrem o martírio por amor ao filho e dizem, apesar de tudo: "fui feliz por tê-lo tido e eu recomeçaria". Conheço mães assim e afirmo que são criaturas benditas de Deus.

Mãe é sempre plural

© Letícia Thompson

Comparamos as mães às flores por que não existem flores de uma pétala só e mães são plurais e oferecem-se, pétala por pétala, aos seus filhos.

Toda mãe é costureira, nem que seja pra pregar botão.

Toda mãe é conselheira, mesmo se nem sempre é ouvida.

Toda mãe é enfermeira, é psicóloga, é cozinheira.

Toda mãe é professora, doutora, artista... é dona de casa, historiadora e florista...

Toda mãe é, mesmo com todos os seus defeitos, um pouquinho de nós que chegou antes, preparou nosso caminho, sonhou nosso futuro, riu nossos risos e enxugou por nós algumas lágrimas.

Uma mãe é uma caixinha de emoções que nem sempre se manifesta... às vezes guarda pra si o que poderia nos fazer mal ou causar medo. Mas nos dias felizes seu coração se desabrocha e ela abre-se a nós como flores ao sereno da madrugada, inteiras e lindas.

Toda mãe é, sem dúvida, uma flor desdobrada e dividida entre a dor e a felicidade, espinho e doçura.

Ela é, no fim de tudo, a flor que veio enfeitar nossa vida.

Aos outros, que o Senhor guarde seus caminhos!
Até breve, se Deus quiser!
Com muito amor e o coração cheio de saudade...
Letícia

Eu não queria chorar. Não queria, porque sou mãe e ser mãe é ser a alegria enfeitada com olhos, nariz e boca. É ser ternura disfarçada de mulher e no dia das mães é somente a felicidade que deve aflorar. Mas as lágrimas são inevitáveis quando percebemos que ao nosso redor o que para nós é alegria, para outros é dor. E se a dor é individualizada e única, não podemos ignorar que somos irmãos uns dos outros e que estamos à mercê das mesmas coisas, dos mesmos acontecimentos.

Homenageei mães de várias formas diferentes, mas não havia falado de forma direta àquelas que sobreviveram aos seus filhos. Peço perdão. São casos em que preciso escrever do que não vivi, mas em que preciso me colocar na pele de quem o fez para escrever e, creiam, é tremendamente doloroso. Difícil fazê-lo sem lágrimas, sem sofrimento, porque só a idéia da perda já nos deixa feridos. O fiz essa manhã para que essas mães podadas de filhos não se sintam sozinhas, para que saibam que uma mãe o é eternamente e que mesmo se não compreendemos certos desígnios da vida, vale a pena passar por ela.

A todas vocês, mães que ficaram quando o filho partiu,
minha homenagem, singela, mas de todo meu coração:

Às mães que ficaram

© Letícia Thompson

Quão dolorosa é essa missão de ser passagem, esse canal, essa ponte que liga o nascimento e o início da eternidade!

Quão benditas são essas mães que acolhem e entregam, não sem dor, não sem desespero, não sem ais, mas que ainda assim amam o tê-lo sido, o ter experimentado as alegrias da maternidade.

Mães que sobrevivem aos filhos são obrigadas a viver sem um pedaço de si para a vida toda, elas encontram forças para viver nas lembranças e no que ficou; precisam aprender a viver mancas e continuar caminhando apesar de tudo.

São flores podadas bem antes do outono, contrariando a natureza e a ordem natural de todas as coisas, que é o nascer, produzir e deixar atrás de si sementes...

Mães valorosas e corajosas, que o são e continuarão, mesmo se o seu fruto já não mais está... a todas vocês a vida, a eternidade e a esperança contínua de que um dia e para sempre, Deus as acolha e bendiga um reencontro entre vocês e seus frutos!

Abençoado dia das Mães a todos!
E tenham um dia cheio de raios de sol, de alegrias, de boas perspectivas!
Um ENORME e carinhoso abraço!
Com muito amor,
Letícia

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