O bem maior

Não é verdade que devemos viver hoje como se não houvesse amanhã. Não que devamos estar o tempo todo preocupados com o dia de amanhã, não precisamos
ir a extremos. Mas a vida é assim feita, como um grande jardim onde vamos plantando aqui e ali, vamos regando e colhendo... semeando sempre. Penso mesmo que a vida é uma constante semeadura e a cada dia vamos colhendo o que semeamos ontem. Mas uns semeiam coisas boas, outros ervas daninhas, há os que semeiam indiferença, vazio, egoísmo. E somente aqueles que semeiam amor é que constroem a sua casinha no paraíso, pois plantam não só para elas, mas todos os que estão à sua volta aproveitam da paisagem e respiram felizes. E o mundo gira dessa forma. E o grande caos que se encontra a humanidade é por
que os homens se esqueceram de tomar o tempo para fazer a felicidade dos outros. Eles habituam-se à solidão e se dizem que nada mais há a fazer. Mas há sim, há muito que pode ser feito. E podemos ser todos um instrumento
dessa felicidade alheia. Isso só depende de nós, do nosso querer.

O texto de hoje intitula-se "O bem maior" e como o nosso próximo Natal caminha a passos largos, pensei que já poderíamos começar a refletir sobre
isso.


O bem maior
© Letícia Thompson

Não existe maior bem do que fazer a felicidade de alguém. Nem nada menos caro, nem mais fácil, pois que a felicidade é algo que se pode oferecer em gestos, e atenções. Se olhamos à nossa volta, percebemos que a carência humana está no fato das pessoas terem perdido os valores imateriais a favor dos materiais.

Compra-se quase tudo em nossos dias...mas o bem ninguém compra. Compra-se até companhia, mas não a sinceridade. Compra-se conforto, mas não a paz de espírito, não a tranqüilidade, menos ainda a felicidade. Esta a gente oferece.

Há uma grande diferença entre o dar e o oferecer. Quando damos, estendemos a mão, mas quando oferecemos... é nosso coração que entregamos junto, é um pedacinho de nós que vai caminhando na direção do outro e o bem que ele provoca retorna ao nosso interior.

Tornamos pessoas felizes quando damos de nós mesmos. E damos de nós quando oferecemos o que quer que seja de coração escancarado.
O grande mal do mundo consiste no fato das pessoas guardarem coisas para si. Guardam bens, guardam sentimentos, guardam declarações, guardam ressentimentos, falam ou calam na hora errada. Vivem de aparências com as gavetas da alma repletas de coisas inúteis. E quando morrem, tornam-se pó, como todo mundo, sem ter aproveitado o tempo para compartilhar, com honestidade, o bem que a vida lhes ofereceu.

A maior herança que podemos deixar à humanidade é o amor que oferecemos de várias formas, são as pequenas felicidades do dia-a-dia que vamos distribuindo aqui e acolá, a compreensão que acalma as almas inquietas e a ternura que abranda os desenganos da vida.

E o que representa a felicidade hoje pode não representar amanhã. Por isso ela é tão múltipla, tão incompreendida e tão necessária. Por isso é tão importante distribuir sorrisos, plantar flores, fazer visitas, dar bom dia e boa noite, não se esquecer dos abraços e dos te amo imprescindíveis ao coração.

Às vezes fazemos as pessoas felizes com coisas tão simples que ficamos surpresos. Mas... quem disse que a felicidade era coisa complicada? Sejamos nós, inteiros, verdadeiros, felizes e façamos os outros felizes.

Tenham todos uma semana de paz e cheia de amor e ternura! Que o Senhor seja o companheiro constante de cada um de vocês, que as noites sejam tranqüilas e os dias proveitosos!

Obrigada, ainda, pelas suas presenças na minha vida!

Um grande e carinhoso abraço, cheio de amor!

Letícia

O desabafo

Não sei de onde tirei a idéia que lágrima faz bem pra pele. Talvez até faça mesmo, quem sabe? Eu disse isso uma vez a uma amiga que chorava ao meu lado. Por que estou convencida que chorar faz bem e que todo mundo tem necessidade, vez ou outra, de colocar coisas pra fora. Pensamos muito. Nosso cérebro é uma maquininha que trabalha mesmo quando dormimos e se de vez em quando não pegamos o tempo de desabafar um pouco,
vamos acumulando coisas dentro de nós, que nem sempre são boas. Mas falar do que sentimos e ressentimos nem sempre é fácil. Ousar expôr nossos guardados, nossas revoltas, nossos pensamentos e ressentimentos é mostrar-nos ao outro ou aos outros à luz do dia.
Mas precisamos todos disso de vez em quando, de encontrar palavras, mesmo que não sejam bonitas, para dizer o que estamos sentindo. Precisamos aliviar nossa carga, deixar rolar a lágrima e, sempre que possível, nos colocar à
disposição de outras pessoas que tenham essa mesma necessidade, sem julgá-las.
Não precisamos ter ombros largos para acolher uma pessoa. É necessário apenas termos os braços abertos e alguns minutos de atenção que damos aqui ou ali podem mudar a vida de muita gente. Fazer o bem custa tão pouco... me pergunto por que hesitamos tanto!

Aqui vai mais um texto para hoje:

O desabafo
© Letícia Thompson

Poucas coisas são tão pesadas quanto as palavras e emoções que carregamos dentro de nós. São coisas que não podemos colocar no chão para descansar um pouco e pegar depois, com forças renovadas. Elas nos seguem e, por que não dizer, nos perseguem.

As vezes nos sentimos pequeninos sim. As vezes queremos não dizer nada, estar simplesmente nos braços de alguém e fechar os olhos e outras, gostaríamos de gritar nossa dor, nossa revolta e deixar que as lágrimas façam caminho no nosso rosto.
Mas nos calamos... por que reconhecer nossa fragilidade diante de outra pessoa é expôr-se, entregar-se a ela, na nudez da alma. E por pudor, medo, vergonha ou orgulho, não queremos isso.
Portanto, a fragilidade não está em mostrar-se frágil. Só os fortes são capazes de reconhecer suas fraquezas para melhor lidar com elas. Ser forte é desenvolver a capacidade de lidar com as emoções, que corroem o ser como uma doença incurável.

Desabafar é abrir as portas do coração e as janelas da alma. Deixar sair o ar fechado e entrar o sol. É soltar palavras e acolher alívio; é partir para o grande vôo da liberdade que todo mundo anseia.
Mas, claro, é preciso sabedoria para se saber onde vamos. Não podemos sair por aí proclamando a todo mundo que temos situações mal resolvidas dentro de nós. Temos que escolher cuidadosamente as pessoas que são capazes de nos receber com maturidade, sem julgamentos.

Há pessoas que nos fazem crescer. Os grandes amigos estão incluídos nessa categoria. A eles então nossas portas podem ser abertas e as palavras poderão fluir, até que nos sintamos mais leves.
E há ainda e, principalmente, Aquele que mesmo conhecendo nosso íntimo melhor ainda que nós, aceita e pede que nosso coração se abra.
Ele nos pega nos braços, seca nossas lágrimas e nos carrega no colo. Ele nos leva até a praia e nos nos apresenta o raiar do dia e o pôr-do-sol... nos diz que a natureza também dorme, acorda e chora às vezes, mas que assim é a vida e que o importante mesmo é continuar de pé, buscando um mundo melhor.

E que vocês estejam nas Américas, África, Ásia ou Europa, saibam que Deus cuida de nós e nos ama da mesma forma.

Obrigada a todos vocês por tudo!

Que o Senhor conceda a cada um uma tarde abençoada!

Com muito amor!

Letícia

Ouça o silêncio

Estamos tão habituados ao barulho, a falar e falar e temos tantas coisas
para pensar, que não nos passa pela cabeça que os silêncios, tão preciosos, podem ter um peso imenso. Pior, talvez, que entrar numa sala onde todos falam demais, é entrar em uma onde todos se calam e ninguem sabe em que direção olhar.

O silêncio, essencial ao nosso viver e à restauração do nosso bem-estar, precisa ser quebrado às vezes. É quando ele empurra pra dentro de nós o que não conseguimos dizer e transformamos isso em lágrimas e isolamento; é quando ele nos dá a impressão que, mesmo se gritássemos, ele seria mais forte, pois de qualquer maneira não seríamos ouvidos. É quando ele impede nossa vida de ir para frente porque anula nossa pessoa, aquilo que somos.
Quando calamos nossa dor e nossas razões e aceitamos submissos nossa condição de pequenos, vamos pouco a pouco nos tornando pessoas invisíveis aos olhos do mundo.

É importante fazer sair nossos sentimentos, nossas revoltas, expôr nossas feridas ao ar para que sequem mais rápido. É importante curar nosso eu interior antes que o exterior seja morto por tudo aquilo que queríamos ter dito e não soubemos. Ou não encontramos forças para fazê-lo. É importante sermos nós, inteiros, para que possamos ser alguém para levantar outros.

Precisamos aprender a ouvir os silêncios do nosso coração. E, muito
importante, os silêncios dos corações que nos cercam. Que não dizem nada e, portanto, falam tanto...

Hoje escrevi sobre o silêncio. Espero que este texto seja acolhido com braços tão abertos quanto aos outros. E que faça alguém feliz. Assim eu sentirei que esse dia de hoje realmente não foi em vão

Ouça o silêncio

© Letícia Thompson

Quem duvida que o silêncio fala nunca olhou nos olhos de criança carente, nem de idoso que pede atenção ou dos solitários que vivem atropelados por multidões e, ainda assim, sentem-se sozinhos.

Há muito grito num olhar que não entende a vida, que teme as despedidas, que, por escolha ou timidez, prefere se calar diante de uma injustiça. Há discursos intermináveis em lágrimas escorridas.

Não é porque as pessoas se calam que elas não têm nada a dizer. Não é porque não dizem, que não vivem. Dói muito mais em quem guarda tudo em si que em quem exterioriza.

Todo mal, rancor, medo, inquietação, dúvida que não colocamos pra fora, nos consome por dentro e isso se transforma em doenças.

Tudo o que não dizemos, mas sentimos no fundo, maltrata a nossa alma e modifica nosso comportamento.

Precisamos aprender a exteriorizar o que nos insatisfaz antes que essa insatisfação nos leve para um buraco sem fundo.

E precisamos estar atentos às palavras não ditas dos nossos pais, filhos, colegas, amigos e a metade escolhida pelo nosso coração.

Toda mudança de comportamento pede muito mais nossa compreensão que nosso julgamento.

E abrir os ouvidos do coração aos que nos são caros é muito mais que ter a arte de saber ouvir, é possuir a grandiosa arte de saber amar.

Letícia Thompson

contact@leticiathompson.net

Os talentos

Minha mãe nunca pôde estudar. Não teve outra formação além da que a própria vida dá: marido, filhos, casa. Mas ela recebeu um dom, que nunca enterrou: o da costura. E eu nunca vi alguém que fizesse tão bem esse trabalho. Nada de planos, a medida só a fita métrica, os modelos, na cabeça. Provavelmente o trabalho não era assim quando começou, mas nenhuma faca nasce afiada, é preciso trabalho, dedicação, horas. Minha mãe é meu exemplo, embora eu não saiba nada de costura e tenha recebido um dom completamente diferente do dela. E é assim com todos nós.

Dizem que tenho um dom bonito. E eu não duvido. Mas todos temos um dom bonito, se cada um se aplica a fazer brilhar a estrela que recebeu. Recebemos todos uma estrela de presente quando somos formados, mas ela é ainda meio apagada, ainda primária. É preciso tempo e aplicação para que comece a brilhar para iluminar os outros. Por que o dom é um presente que enriquece a quem o tem e a quem tira proveito dele. Mas se não aprendemos a usá-lo para que se desenvolva, da mesma forma que os músculos, ele vai sempre ficar diminuído, atrofiado, mesmo que exista.

Comecei a me interessar pela escritura aos sete anos de idade. Desde que conheci as letras, isso me fascinava. Depois, fui escrevendo, criando, mais pelo prazer que por qualquer outra coisa. E penso que até escrevi coisas bonitas e úteis na minha adolescência. Depois, por razões que a vida conhece, fiquei sem escrever durante onze anos. Foi um período de seca. Aprendi a conhecer as flores e cultivá-las, viajei, tive minhas filhas. Até que um dia a internet entrou na minha vida e recebi um poema. Aquilo doeu em meu peito. Tive vontade de recomeçar a escrever. Meu dom estava enterrado e enferrujado, mas estava lá, intacto. E foi assim que há pouco mais de quatro anos recomecei a escrever. Foi meio duro no início, eu me empurrava, precisava ficar mais horas pensando. Mas persisti. O resultado? O site, vocês, muitas bênçãos na minha vida e, espero, na de muitas pessoas espalhadas por esse mundo.

Quem pensa que ter dom é só saber cantar, escrever, compôr, pintar, está muito enganado. Dar de si aos outros também é um dom, fazer caridade o é, saber ouvir, saber ficar em silêncio, saber acolher, saber falar, saber achar as palavras certas na hora certa e tantos e tantos outros que vocês nem imaginam. Se muitos de vocês ainda não descobriram ou não encontraram coragem para desenterrar seu dom, é hora de olhar pra bem dentro do coração e se perguntar o que vocês fariam que poderiam deixá-los completos. Porque nossos dons completam nossa vida, nos dão felicidade. Deve ser por isso que muita gente vive por aí se sentindo vazio mesmo quando parece ter tudo.

Escrevi hoje sobre os talentos, como devem imaginar:

Os talentos

~ Letícia Thompson ~

Talento é a habilidade para desenvolver os dons com os quais Deus nos presenteia.

Ninguém foi feito grande e ao nascermos o Senhor nos oferece, como presente, um dom. Segundo as oportunidades que recebemos no início e depois, com nossa própria capacidade para trabalhar com isso, desenvolvemos ou não esse dom.

Quantas vezes as pessoas olham para outras que se saem muito bem no que fazem e se dizem: "- eu queria ter esse dom!" E eu pergunto: "Por quê? Onde está enterrado aquele que o Senhor te ofertou?"

Toda ferramenta não utilizada acaba enferrujando e perdendo o uso. Ela nunca vai deixar de ser uma ferramenta, mas poderá ser útil ou inútil. É como o próprio corpo que se não exercitado pode diminuir suas funções.

Deus nos deu a cada um uma medida para a nossa contribuição aqui na terra, para o enriquecimento daqueles que passam por nós e para que, em nós, sejamos completos. Uns enterram essa medida, outros a dobram e os mais sábios a multiplicam.

É importante, muito importante, colocar todo o nosso coração naquilo que fazemos e o resultado virá por si só.

Seu dom é cantar? Cante como ninguém! É escrever? Coloque sua alma em palavras! É ser hospedeiro? Abra seus braços e acolha com todo amor. Quem sabe não seja seu dom o de ouvir as pessoas? Ouça, então, com o coração aberto!

Há no universo tanta variedade de dons quanto há de flores e pássaros! Se o mundo ainda não descobriu o que você tem de melhor dentro de si para oferecer, desenterre seu presente, limpe-o, trabalhe até que sua contribuição na terra seja revelada!

Não existem dons grandes e dons pequenos, pois Deus nos confiou aquilo que Ele pensava nos fazer felizes. As mãos não são mais importantes que os pés e os olhos não são melhores que a boca. Cada qual, com sua participação, enriquece nosso corpo, dá vida, dá utilidade.

Ter talento é ter habilidade. É sim. Habilidade de render a Deus a graça com a qual Ele nos ofertou.

Deus os abençoe com a uma linda e estrelada noite!

Abraço carinhoso e até amanhã, se Deus quiser!

Letícia

Quando o sol já aquece essa minha linda Bélgica, as estrelas ainda encobrem o céu de muitos vocês. Eu gosto de estar aqui escrevendo, pensando em vocês sem que tenham consciência que em um pontinho do mundo alguém possa estar pensando. Espero que estejam tendo lindos sonhos... de amor, quem sabe? E hoje, eu falo um pouco sobre isso justamente: o amor! Sim, eu sei, o assunto é corriqueiro e acho que mais que dissecado. Mas ele é tão múltiplo, tão diversificado, que a gente sempre acaba achando alguma coisinha a mais pra dizer. E eu digo...

Falo das almas gêmeas. Em francês diz-se "l'âme-soeur", que quer dizer alma-irmã. E de qualquer forma, qualquer que seja a segunda tradução, é sempre alma a primeira palavra. E por quê? Porque o que procuramos é encontrar uma outra alma que possa amar a nossa e vice-versa, mas nossa visão prática do mundo, nossas ilusões causadas por sonhos demasiados baseados pelo padrão de beleza imposto pela sociedade, nos impedem de chegar ao cimo desse monte. Mas se fecharmos os olhos à aparência, poderemos encontrar mais facilmente aquela pessoa que vai segurar nossa mão nessa caminhada. Muitas pessoas estão sozinhas porque deixaram passar as oportunidades e essas... às vezes voltam, mas nem sempre!
Aqui vai, então, um pouquinho de reflexão para o dia de hoje:
Obrigada a todos vocês que vivem comigo na partilha da amizade! Penso que mais que 95% das pessoas com as quais tenho contato eu não conheço o rosto... mas que importa isso, se nos completamos no pensamento e no coração? Às vezes é suficiente saber que em algum cantinho do mundo alguém pensa na gente pra fazer nosso coração bater mais forte.

 

A outra metade

Letícia Thompson

Almas gêmeas não são duas metades iguais, mas duas metades diferentes que se completam.

Existe muita gente sozinha no mundo, justamente porque essas pessoas procuram a outra metade igual a elas, ou seja, o reflexo de si. Ora, pra achar a outra metade de si mesmo é suficiente se olhar no espelho.

Diz-se de modo carinhoso que o outro é a metade da sua maçã. E eu já percebi que muitas vezes a outra metade da maçã é mais tortinha, sem jeito, menos bonita... mas ainda assim a metade daquela maçã. E por que na vida não poderia ser assim? Que a outra metade seja diferente, que não tenha exatamente os mesmos gostos, nem talvez a mesma formosura, mas que tenha aquele quê que nem sabemos explicar e nenhuma outra metade vai se encaixar de forma tão harmosiosa para formar um todo tão perfeito com a gente.

Quem já não encontrou casais desencontrados? Um grande, o outro pequeno; um feio, o outro bonito; um bem mais jovem, o outro mais vivido; um tímido, o outro extrovertido... e assim pela vida afora. E nos perguntamos intimamente o que os mantêm juntos. Mas se pensarmos mais profundamente nessa questão chegaremos a conclusão que são essas sim, as almas gêmeas. Dois seres diferentes, mas se amando o bastante para superar as diferenças, viver e conviver com elas e apesar delas, contra todo pensamento, contra todo questionamento, contra toda opinião alheia.

O papel da alma gêmea é completar os vazios, preencher os vácuos, enriquecer onde o outro tem necessidade... é um dar e receber que só envolve os dois.

A alma gêmea é o complemento do outro, não sua extensão.

Quem corre atrás da sua sombra vive eternamente insatisfeito, eternamente à procura. Mas aquele que abre os olhos e, principalmente, o coração, pode perceber que sua alma gêmea encontra-se do lado. É preciso se estar atento aos sinais que não enganam para o encontro com aquela pessoa que poderá ser nossa companheira na jornada da vida.

Se o amor te acenar, não diga não de imediato só porque ele chegou diferente do que você esperava. Não se esqueça que por detrás dessa nossa capa humana existe uma alma.

Se no seu caminho uma outra alma completar a sua, independente da aparência física, independente até de tudo aquilo que você sonhou, você vai ter encontrado a sua metade, seu amor, seu quinhão de felicidade.

 

Um maravilhoso e abençoado dia a cada um de vocês!

Deus os abençoe... e até breve!
Um carinhoso e forte abraço,
Letícia

Os complexos

Dia 21 de julho de 1969 vai ficar marcado para toda a humanidade. Nesse dia o homem varou o espaço e alcançou a lua. Claro que os poetas já tinham chegado lá bem antes, mas isso não se conta. E esse dia marcou toda a minha vida. Não por que o homem tenha pisado na lua, mas porque eu fui queimada nesse mesmo dia. Apesar dos meus cinco anos de idade, me lembro das pessoas um pouco alvoroçadas, de eu estar nos braços do meu pai, do hospital. De dor, não me lembro nenhuma. A dor veio depois, quando entrei no primário. E não tinha nada a ver com dor física.

Os médicos fizeram um excelente trabalho e não guardei cicatrizes no rosto ou nos braços, mas uma ficou um pouco abaixo do pescoço, indo pro lado direito. Isso não me incomodava, até que alguns colegas de escola, principalmente meninos, acho até que sem maldade, comentaram. À partir daí comecei a querer esconder. Como minha mãe costurava pra mim, eu nunca gostava de vestido ou blusa com alça, porque assim as pessoas não veriam. Ter um complexo dói muito na gente.

E durante alguns anos eu sofri com isso. Até a adolescência, onde percebi que os rapazes não deixavam de se interessar por mim por causa disso e que eu podia ter tantos amigos quanto quisesse. Aprendi a ser engraçada, um pouco palhaça mesmo (e isso deve surpreender muitos de vocês, que pensam que sou uma pessoa muito séria ou mesmo triste), atraía facilmente as pessoas a mim. O complexo acabou? Talvez não a 100%, mas ele deixou de ter importância. Fiquei acima dele.

Muitas pessoas sofrem por causa de complexos. Ou não se acham bonitas o bastante, ou são gordas ou magras demais, altas ou baixas demais, têm grandes orelhas ou nariz, ou um defeito físico, cada um sabe do que não gosta em si... e a intolerância de certas pessoas pode fazer com que isso se acentue. Mas nós somos o que somos e apesar de todas as nossas imperfeições, Deus nos criou perfeitos na alma. E tem coisa mais bonita que isso?

As pessoas intolerantes com as diferenças, se essas realmente existem, não se olham bastante no espelho. A perfeição não existe e o máximo que as cirurgias plásticas conseguem é criar coisas artificiais. Mas nós podemos mudar, podemos nos aceitar como somos, aprender a viver com nosso eu e podemos fazer sobressair o que temos de melhor em nós. Podemos até, no fim das contas, rir de nós ao percebermos que o que nos incomoda pode até fazer nosso charme, nossa diferença. Achei graça quando uma amiga minha disse uma vez: "quando alguém ri de mim, eu rio também." Ela é que é feliz e tem razão, pois é mudando nosso comportamento que mudaremos o olhar do mundo para nós. Somos pessoas ricas demais em muitas coisas para que possamos dar tanta atenção a uma pequena coisa que pode nos destruir.

Em Isaías 53:2, acerca da profecia sobre Jesus lemos:

"Não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos para que O desejássemos."

E abaixo, no versículo 5 lemos:

"... o castigo que nos traz a paz estava com Ele e pelas Suas pisaduras fomos sarados."

Não é maravilhoso isso?

Aqui vai o nosso texto para hoje:

Que Deus os abençoe, pois Ele ama a cada um de nós do jeitinho que nos formou e tudo o que quer é que sejamos felizes!

Abraço forte e carinhoso!
Letícia

 

Os complexos

Letícia Thompson

Se fossem simples, já não teriam esse nome. E se têm é porque fazem torta a vida de quem sofre com eles.

Os complexos são impressões que sentimos que o mundo inteiro está concentrado na nossa pessoa. É como se houvesse um projetor sobre nossa cabeça, mesmo e, talvez principalmente, em plena luz do dia.

É algo que dói tão profundamente e tanto mais se não pode ser mudado. As pessoas em volta não percebem isso. Aliás, a realidade é que elas se importam pouco com os complexos de outros, a pessoa que mais se importa com isso é o próprio complexado. E é a única pessoa que sofre também. Sofre no âmago. Se algo não for feito, a tendência é a anulação na pessoa das grandes qualidades por uma pequena diferença.

O remédio? Antes de tudo aceitação. Aceite-se! Se há algo em você que te incomoda e que você não pode mudar, aceite! Comece por perceber que não existe um projetor sobre sua cabeça, que o mundo não para de girar quando você chega e que todas as pessoas não olham pra você. Pare de se comparar com esse ou aquele outro, porque você não sabe, mas é possível que essas pessoas que você olha tenham elas também seus complexos, outros, e que até gostariam de trocar de lugar com você.

E se acontecer de você ter realmente algo "diferente" e alguém se divertir com isso, divirta-se também. Se você se vê com naturalidade e bom humor, os outros aprenderão a te ver dessa forma. E vão te admirar por isso.

Olhe-se bem no espelho. Há certamente algo bonito em você, que seja no físico ou na alma. Realce isso!!! Se você deve chamar a atenção de alguma forma, que seja pelo seu bom humor, suas gargalhadas, seu jeito de olhar ou conversar com as pessoas.

Não sei se você sabe, mas diz a Bíblia que Jesus "não tinha parecer, nem formosura." E nós o amamos pelo que Ele foi, pelo que Ele é e pelo que Ele será na nossa vida.

O dia que você partir, ninguém vai se lembrar do que você não tinha, mas do que ofereceu, do que deixou, da amizade e da saudade que soube cravar nos corações.

A franqueza é uma escolha difícil para os relacionamentos não maduros.
Talvez por ser mal usada, mal interpretada e mal compreendida. As pessoas preferem então calar seus verdadeiros sentimentos, assim não ferirão outros.
Porém tudo o que é não dito, mas ressentido no âmago, não desaparece como por magia, essas coisas permanecem e nos fazem muito mal. Querendo agradar outros, ou guardar relacionamentos, prendemos as pessoas a nós sendo o que elas esperam de nós e não aquilo que somos. Quantos casais depois de anos e anos de casamento, num momento de briga, não dizem coisas que ficaram guardadas até mesmo por anos e que o outro nem mais se lembrava?
Nas amizades e relações familiares acontece o mesmo. Não ousamos ser nós porque sempre achamos que o outro não está preparado para nos receber. E geralmente não está mesmo.
Complicamos demais a vida quando deveríamos simplificá-la! Com amor
deveríamos ter mais coragem de ser e o ser humano está ainda longe disso.
Mas nós caminhamos... se de algum lugar se deve começar, nós então
começamos.

Um pouquinho de reflexão para hoje:

 

Os não ditos...
© Letícia Thompson

As palavras às vezes cortam como uma faca e de maneira irrefletida ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno. Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos, quando tudo o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.

Essas coisas são os não ditos das relações e da vida.

As palavras que não dizemos, mas não enterramos também, estão sempre entre nosso coração e nossa garganta e nos ferem interiormente. São opções que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja, simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros e límpidos.

A comunicação é a base de todo relacionamento saudável. Pessoas que se amam, que seja na amizade, no amor ou nas relações familiares, devem estar prontas para serem quem são, para perdoar e receber perdão.

Não nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro nos ouviria com a alma, nos entenderia e continuaria a nos amar, apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais maduras que pareçam, nem sempre estão prontas para ouvir as verdades, se essas forem doloridas. Assim são criadas as relações superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos e sufocamos.

Nos falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição, aceitar que o outro possa não gostar de algo em nós e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de sermos nós, sem essa máscara que nos torna bonitos por fora e doentes por dentro.

A comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas e certas, concertaria muitos relacionamentos, sararia muitas almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.

Sabemos que as pessoas nos amam quando nos conhecemprofundamente, intimamente e continuam nos amando. Quando com elas temos a liberdade e coragem de dizer: isso eu sinto, isso eu sou.

Quem me conhece há mais tempo deve estar surpreso em receber atualizações três dias seguidos, pois não é meu hábito. Mas tenho minhas razões, ou meu coração as tem. A verdade é que meu coração está cheio de palavras e Deus me proporcionou esse tempo para colocá-las aqui.

Conto agora com uma equipe, graças à boa disposição de alguns entre vocês.
Ainda tomaremos uns dias para que tudo esteja em ordem, mas penso que até a próxima semana já estaremos organizados. Agradeço de coração a todos esses anjos que se dispuseram. Deus os recompensará.

Obrigada a todos vocês pelo carinho, e-mails, palavras que nem sempre sei
como responder. Peço a Deus que abençoe a todos, cada qual segundo seu coração.

Tenham um lindo e muito abençoado dia!

Com amor, Letícia

Eu não sei se é o tempo, cada vez mais agitado, o progresso, essa corrida constante, mas as pessoas fatigam-se mais depressa, entram em fase de depressão, desanimam, nem que seja por curto lapso de tempo, ante dificuldades. Se assim não fosse, não haveria tanto sucesso com os livros e
mensagens de auto-ajuda. Todo mundo quer buscar alguma coisa a que se apegar, para não deixar o barco afundar. E isso nada tem a ver com ser positivo ou não, ser fraco ou frágil. O desânimo é como a chuva, mesmo
aqueles que sempre estão protegidos por um guarda-chuva estão sujeitos à algumas gotas. Mas não é o evitar que nos faz andar para frente, é o parar, reconhecer para melhor aprender a lidar, é o encarar.

Nosso sentimento de solidão diminui quando vemos que outras pessoas também passam por esses altos e baixos e que sobrevivem. Nos dizemos então que essas etapas fazem parte da vida e se isso é a vida... vamos abraçá-la, por
que o importante mesmo não é chegar intacto, mas chegar a algum lugar. E nós, se a tristeza nos invade e uma vozinha nos diz que as coisas estão difíceis, temos um Pai Amado clamando alto e forte: nunca vos abandonarei!
Esse é nosso consolo, isso é nossa glória!

Hoje escrevi sobre o desânimo e que ele traga ânimo para as almas, incentivo para se olhar na direção do sol e das coisas boas da vida:

 

O desânimo
© Letícia Thompson

Deveríamos todos parecer flores no início da primavera. A própria imagem da vida, abertos, viçosos, esperançosos e sorridentes, muito sorridentes aos passantes.

Só que a vida é um lutar constante. Quando chegamos prontos para a batalha, não sabemos ainda como serão as lutas, o que vão exigir, o que vão tomar de nós. E é assim em várias áreas da nossa vida, que seja física, espiritual, amorosa, nos nossos relacionamentos com os outros...

O lutar nos cansa; as respostas que tardam a vir nos cansam, as esperanças prorrogadas ao dia-a-dia podem tornar-se cansativas. A fadiga chega, o desânimo se apossa de nós e tira nossas forças.

A fadiga psicológica é muito mais perigosa do que qualquer outra que venha tomar conta de nós. Não basta uma noite de descanso ou uns dias de férias. Oxalá fosse assim! Muitos dos nossos problemas seriam resolvidos a cada fim de semana.

Quando nos deparamos com uma situação em que não vemos saída é inútil continuar se debatendo, isso só vai aumentar o desânimo.

É preciso em certos momentos deixar-se abandonar, não para desistir, mas para se recuperar as forças, olhar com objetividade, dar-se a ocasião de reconhecer-se fragilizado e humano e, por isso mesmo, igual a todo mundo. Há os que nunca perdem a coragem e vontade de lutar, mas ainda não conheci alguém que nunca tenha tido um momento, nem que seja um momento, de desânimo. E não é errado, não é anormal.

É apenas nosso ponto de limite e isso é muito individual, por isso nada de comparações. Ninguém é melhor que ninguém por que parece mais forte e resistente, as pessoas apenas são diferentes.

Jesus chorou, mas não desistiu de Jerusalém. Ele pediu que o cálice fosse passado, mas carregou a cruz e foi pregado nela.

Vocês já observaram flores que ficam muito tempo sem água? Elas murcham, ficam abatidas. Mas em geral é suficiente um copo de água fresca e logo depois elas reerguem-se, como muitas quando recebem o sereno na madrugada. Chegam prontas para enfrentar o dia. E é assim conosco.

Que as lágrimas venham, venham sim! E que venham os tempos de estia! Mas que não morramos de fraqueza, que a noite chegue trazendo o sereno, que a primavera volte! Quantas e quantas vezes é suficiente levantar um pouco os olhos para ver que as soluções estavam ao nosso alcance, a gente é que estava cansado demais para procurar direito.

Disse Jesus: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo.

E se estamos em Cristo e Ele em nós, nenhum obstáculo será intransponível, nenhuma estrada será longa demais

Obrigada mais uma vez a todos vocês que fazem parte da minha vida e os que estão chegando agora, sintam-se, por favor, em casa.

E que os braços do Pai os acolha mais nesse dia, mais nessa semana! E desejo muita, muita coragem, muito ânimo! Saibam que mesmo quando a gente desanima, Deus não desanima. E Ele continua acreditando em nós.

Um forte abraço cheio de amor e até a próxima!

Letícia

O equilíbrio é fundamental na nossa vida. Todo tipo de equilíbrio. Não ficar balançando de um lado para o outro e tentar ir em linha reta, mas andar corretamente ou o melhor possível. Dar o melhor de si já é um passo importante na busca desse equilíbrio tão essencial.

Nossa sociedade não é equilibrada. O meio ambiente está desequilibrado. Mas se o próprio homem não achar equilíbrio em si mesmo, nada vai voltar a ser normal, o mundo vai caminhar para um caos ainda maior. Para consertar o mundo, é necessário consertar o homem e para consertar o homem é necessário que este tenha consciência que está pesando demais de um lado da balança e que isso não é normal.

Digo no texto que mesmo a dor é necessária ao nosso equilíbrio. Me lembro de ter visto um programa na tv sobre uma criança que tem uma doença rara e a conseqüência é que ela é insensível à dor. Muitos diriam, como eu ouvi, que seria o paraíso. Será? Ora, ela pode quebrar uma perna e não sentir nada, pode se queimar, pode desenvolver uma outra doença interna... e não sentir nada!!! É realmente isso o paraíso? Eu diria mais que é o contrário. As dores, as quedas, as desavenças, são sinais de alarme, são sinais que precisamos fazer alguma coisa, que precisamos lutar. Por isso não devemos proteger demais nossos filhos das experiências da vida, porque precisam saber o que é, precisam adquirir imunidade, precisam aprender a utilizar as mãos, a cabeça, o bom senso. Dói na gente ter que dar lições aos filhos, dói muitas vezes dizer não, mas eles precisam aprender os verdadeiros valores e aprender a viver. Para o amadurecimento é necessário sol, chuva, calor, vento fresco, noites e dias.

Vamos, então, ao nosso texto de hoje, antes que eu fale demais e não tenham mais coragem parar ler:

O equilíbrio

Letícia Thompson

Tudo o que é desmedido causa dano. Comer demais é tão nocivo quanto comer de menos. Uma vida sedentária conduz tanto à destruição quanto uma vida corrida.

E o amor? O amor também. Amor ao outro, aos filhos, a uma causa... tudo aquilo que nos ultrapassa, nos faz esquecer-nos, nos torna dependentes e vulneráveis é prejudicial.

O amor exagerado ao parceiro, sufoca-o. O ciúme doentio pode levar um a querer experimentar exatamente o que o outro teme tanto, para que, enfim, este tenha razão e possa se sentir justificado. E as pequenas mentiras dentro de um casal surgem também à partir daí. Faz-se coisas às escondidas, às vezes sem grande importância, mas que se o outro souber vai causar brigas. Estabelece-se assim a dualidade entre os casais mais unidos. É aí que os caminhos começam a se separar.

Pais que amam tanto os filhos que fazem tudo por eles e no lugar deles, os deixam despreparados para a vida. É como agasalhar demais, dar presentes demais, estar sempre disponível, não saber dizer não. A vida nunca se conduz como pais protetores e não é raro ver criminais que foram superprotegidos na infância e adolescência.

Toda pressão conduz à necessidade de sair dela. A proibição absoluta é um grande abismo atraente.

E o excesso de liberdade pode conduzir à libertinagem. Filhos livres demais são tão infelizes quanto os que se sentem em prisão. Sentem-se mal-amados. Não podemos viver a vida dos nossos filhos por eles e não podemos deixá-los vivê-la completamente sozinhos, pois nosso papel é justamente educá-los, mostrar o que é certo e errado, deixar que façam suas experiências e estar do lado para quando precisarem.

Mesmo a dor é necessária e útil ao nosso equilíbrio.

O equilíbrio é o sal na vida, é o tempero, o que dá gosto. Deve haver sempre uma balança em todas as nossas ações. Não dizemos que as pessoas loucas são desequilibradas? Para essas pessoas não existe meio termo, alguma coisa nas suas vidas pesou tanto que causou essa desigualdade essencial a uma vida sã.

O que é normal e anormal nas nossas atitudes no dia-a-dia nem sempre é visível aos nossos próprios olhos. Nossos conceitos podem cegar-nos e frequentemente precisamos de um olhar exterior que nos mostre onde estamos errando. E aí precisamos estar abertos a críticas, não como algo prejucidial, mas como uma nova visão daquilo que pensamos.

Viver bem é viver na boa medida, é não ser dependente, não criar dependentes, é dar ao eu e ao outro a liberdade de ser, estando porém, do lado.

Viver bem é aprender a arte de bem-viver.

Fiquem com Deus e aqui deixo meu abraço cheio de amor

e agradecimento a todos!

Letícia

E é nesse inverno seco e difícil que aprendemos que o sol não muda, que a lua continua encantando, que as flores continuam nascendo e que a vida nos espera sorrindo e de braços abertos.

Eu conheço uma pessoa que não gosta de rosas vermelhas por que uma pessoa que ela amava se foi e como este amava rosas vermelhas, pediu que colocassem na sua última viagem. Quando ela me disse isso, eu repliquei: no seu lugar, eu amaria ainda mais rosas vermelhas. No seu modo de ver, essas rosas lembram a partida; no meu, lembram que essa pessoa as amava ao ponto de querer tê-las por perto até o fim.

Mas não a critico, apenas penso diferente. E é assim com a vida. Cada um de nós reage de maneira diferente diante dos mesmos acontecimentos. Passamos pelas mesmas coisas, vistas e sentidas sempre de modo pessoal e único.

É muito fácil falar sobre a vida, pois quanto mais falamos, mais temos a impressão que ela entra em nós. Mas falar sobre a morte... dá sempre aquele aperto no peito. Portanto, é importante falar, é importante saber que ninguém precisa estar só por que vivencia perdas e que passamos todos por esse caminho doloroso, que não representa somente a morte física, mas a várias situações da vida.


E é sobre o luto que eu resolvi escrever um pouquinho hoje:

 

O Luto

~ Letícia Thompson ~

O luto é a tristeza profunda da alma após uma grande perda.

A perda definitiva de uma pessoa querida e a dor que isso causa é a forma mais evidente do luto, que é necessário para que se possa continuar vivendo. Nesse período, pouco compreendido pelos que estão de fora, a pessoa faz uma retrospectiva da própria vida e de tudo o que foi vivido com a outra pessoa, ela pesa, mede, se questiona e vai assim digerindo o acontecido. Só depois da aceitação da evidência do não retorno e da compreensão de que é preciso continuar vivendo é que se pode continuar a caminhar e pensar em construir novos caminhos.

Aceitar uma perda não é estar contente com ela, mas simplesmente compreendê-la. Muitos não conseguem dissociar essas duas coisas e é a razão pela qual sentem mais dificuldade para sair do período do luto. É como se, saindo disso e passando a outra coisa, outras pessoas pudessem julgá-los. Por isso uma pessoa de luto teme o sorrir de novo, o se alegrar, o estar bem: é o olhar acusador dos outros que pesa sobre ela ou melhor, a idéia de que vão lhe acusar, como se sorrir de novo fosse amar menos quem partiu, fosse demonstrar um menor sentimento de pesar.

Somente quando ela entender que o amor que sentimos por uma pessoa não pode ser medido pelo tempo que passamos digerindo a sua perda, é que ela vai poder continuar sua vida. Alguém que parte do mundo, parte fisicamente, mas fica nas lembranças, no vivido, no coração.

Associado à morte, o luto é, portanto, vivenciado de todas as maneiras e por todas as pessoas em vários períodos da vida, mas de forma menos evidente.

Cada vez que passamos por uma situação que nos fere e muda algo em nós, precisamos desse período de silêncio interior para que aceitemos a situação antes de ir adiante. Assim, precisa de um período de luto quem passa por uma separação, a perda de um trabalho, uma mudança radical na vida. Esse tempo em que pesamos e avaliamos os acontecimentos, nos culpamos e nos desculpamos, choramos e expurgamos as mágoas e dores e nos preparamos para um novo recomeço.

E é nesse inverno seco e difícil que aprendemos que o sol não muda, que a lua continua encantando, que as flores continuam nascendo e que a vida nos espera sorrindo e de braços abertos.

Desejo a todos um dia cheio de paz, mesmo se em alguns lugares no mundo algumas pessoas se esqueceram o significado dessa palavra. Que a serenidade possa estar presente em cada coração!

Obrigada a todos pelo carinho. Que o Senhor os guarde debaixo da Sua infinita graça!

Com muito amor,

Letícia

Quantas vezes as pessoas desistem da vida porque desistem de esperar? Temos tanta pressa com tudo!... Como se a vida fosse um mar de problemas para uns e um mar de rosas para outros!... Não vivemos o que outros corações vivem e nem podemos viver, mas como podemos aprender com cada coisa que surge a cada instante!

Há algo mais singelo, sublime e belo que as flores que nascem entre as pedras? Elas germinam, avançam e sobressaem-se, mesmo se tudo à volta parece árido e seco. Embelezam, apesar das asperezas, da seca, dos maus dias. Aprendemos com a natureza que o mundo tem jeito, que podemos nos resguardar e permanecer inteiros, apesar das situações que parecem querer nos enfraquecer e derrubar. Aprendemos com as estações que não se desiste da vida, nem de ser, nem de tentar, nem de querer e que será sempre possível dar a volta por cima, apesar das contrariedades do caminho. O majestoso sol deixa-se muitas vezes encobrir por nuvens, mas ele volta sempre e sempre.

Fomos feitos para viver. Fomos criados para bem viver. Somos flores às vezes em terra fértil, outras em terreno árido, mas flores ainda; somos sóis e luas que não desistem de renascer. Somos poços de problemas ou rios de felicidade, mas somos cheios de possibilidades e o melhor de nós pode sempre sobressair, como tímidos e firmes raios de sol que varam as nuvens e acabam iluminando o dia.

Aqui vai um pouquinho de reflexão:

E o sol nasce novamente
©Letícia Thompson


Há ocasiões em nossa vida que a noite parece interminável. É assim quando todas as esperanças parecem ter ido procurar refúgio em algum lugar, menos no nosso coração.

Não somamos nossas alegrias como somamos nossos problemas. Quando passamos por um caminho difícil, fazemos uma revisão do que vivemos e temos vivido e somamos as dores, que parecem crescer a cada lembrança.

Se, inversamente, fizéssemos o mesmo com nossos momentos de alegria, encontraríamos razões a mais para viver e forças suplementares para sobreviver aos impasses da vida.

Por mais longa que seja a noite, por mais lento que tenha sido o relógio e por mais dolorido que tenha estado nosso coração, o sol nasce novamente. Pouco importa se no dia seguinte ele estará ainda encoberto por nuvens, ele não estará encoberto eternamente.

A certeza de que algo de bom e bonito existe nos faz guardar ainda acesa a chama dentro do coração. Se o sol vai e volta, a lua some e reaparece, as marés baixam e sobem, não há razões para que na vida não demos a volta por cima. A natureza é a prova viva de que tudo está em movimento sempre e nós fazemos parte dessa paisagem idealizada e plantada por Deus.

Tudo é passageiro, as alegrias vêm e vão, mas o sofrimento também, até mesmo aquele que se instala no mais profundo do nosso ser, ele também se acalma e deixa um lugarzinho aberto para a doçura de viver.

Não podemos desistir de ser felizes enquanto o sol não desistir de renascer.

 

Eu estou feliz. Dia 1 de agosto estarei viajando ao Brasil por três semanas para o lançamento do meu livro. Vou estar em São Paulo capital, Bauru, Campinas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Vão ser certamente dias ocupados, mas quando ocupamos nosso coração com alegrias nem sentimos cansaço. Espero reencontrar velhos amigos e encontrar alguns novos. Voltarei a falar no assunto quando estiver mais próximo.

Um enorme obrigada a todos vocês pelo carinho que têm para comigo!

Que o Senhor faça sempre sair o que há de melhor no coração de cada um de vocês e que a esperança caminhe sempre de mãos dadas, mesmo com aqueles que às vezes pensam em desistir!

Um abraço cheio de ternura a cada um de vocês!

Letícia

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Quem teme o Senhor está aprendendo a ser sábio.
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