Não
é verdade que devemos viver hoje como se não houvesse
amanhã. Não que devamos estar o tempo todo preocupados
com o dia de amanhã, não precisamos
ir a extremos. Mas a vida é assim feita, como um grande
jardim onde vamos plantando aqui e ali, vamos regando e colhendo...
semeando sempre. Penso mesmo que a vida é uma constante
semeadura e a cada dia vamos colhendo o que semeamos ontem.
Mas uns semeiam coisas boas, outros ervas daninhas, há
os que semeiam indiferença, vazio, egoísmo. E
somente aqueles que semeiam amor é que constroem a sua
casinha no paraíso, pois plantam não só
para elas, mas todos os que estão à sua volta
aproveitam da paisagem e respiram felizes. E o mundo gira dessa
forma. E o grande caos que se encontra a humanidade é
por
que os homens se esqueceram de tomar o tempo para fazer a felicidade
dos outros. Eles habituam-se à solidão e se dizem
que nada mais há a fazer. Mas há sim, há
muito que pode ser feito. E podemos ser todos um instrumento
dessa felicidade alheia. Isso só depende de nós,
do nosso querer.
O
texto de hoje intitula-se "O bem maior" e como o nosso
próximo Natal caminha a passos largos, pensei que já
poderíamos começar a refletir sobre
isso.
O bem maior
© Letícia Thompson
Não
existe maior bem do que fazer a felicidade de alguém.
Nem nada menos caro, nem mais fácil, pois que a felicidade
é algo que se pode oferecer em gestos, e atenções.
Se olhamos à nossa volta, percebemos que a carência
humana está no fato das pessoas terem perdido os valores
imateriais a favor dos materiais.
Compra-se
quase tudo em nossos dias...mas o bem ninguém compra.
Compra-se até companhia, mas não a sinceridade.
Compra-se conforto, mas não a paz de espírito,
não a tranqüilidade, menos ainda a felicidade. Esta
a gente oferece.
Há
uma grande diferença entre o dar e o oferecer. Quando
damos, estendemos a mão, mas quando oferecemos... é
nosso coração que entregamos junto, é um
pedacinho de nós que vai caminhando na direção
do outro e o bem que ele provoca retorna ao nosso interior.
Tornamos
pessoas felizes quando damos de nós mesmos. E damos de
nós quando oferecemos o que quer que seja de coração
escancarado.
O grande mal do mundo consiste no fato das pessoas guardarem
coisas para si. Guardam bens, guardam sentimentos, guardam declarações,
guardam ressentimentos, falam ou calam na hora errada. Vivem
de aparências com as gavetas da alma repletas de coisas
inúteis. E quando morrem, tornam-se pó, como todo
mundo, sem ter aproveitado o tempo para compartilhar, com honestidade,
o bem que a vida lhes ofereceu.
A
maior herança que podemos deixar à humanidade
é o amor que oferecemos de várias formas, são
as pequenas felicidades do dia-a-dia que vamos distribuindo
aqui e acolá, a compreensão que acalma as almas
inquietas e a ternura que abranda os desenganos da vida.
E
o que representa a felicidade hoje pode não representar
amanhã. Por isso ela é tão múltipla,
tão incompreendida e tão necessária. Por
isso é tão importante distribuir sorrisos, plantar
flores, fazer visitas, dar bom dia e boa noite, não se
esquecer dos abraços e dos te amo imprescindíveis
ao coração.
Às
vezes fazemos as pessoas felizes com coisas tão simples
que ficamos surpresos. Mas... quem disse que a felicidade era
coisa complicada? Sejamos nós, inteiros, verdadeiros,
felizes e façamos os outros felizes.
Tenham
todos uma semana de paz e cheia de amor e ternura! Que o Senhor
seja o companheiro constante de cada um de vocês, que
as noites sejam tranqüilas e os dias proveitosos!
Obrigada,
ainda, pelas suas presenças na minha vida!
Um
grande e carinhoso abraço, cheio de amor!
Letícia

O
desabafo
Não
sei de onde tirei a idéia que lágrima faz bem
pra pele. Talvez até faça mesmo, quem sabe? Eu
disse isso uma vez a uma amiga que chorava ao meu lado. Por
que estou convencida que chorar faz bem e que todo mundo tem
necessidade, vez ou outra, de colocar coisas pra fora. Pensamos
muito. Nosso cérebro é uma maquininha que trabalha
mesmo quando dormimos e se de vez em quando não pegamos
o tempo de desabafar um pouco,
vamos acumulando coisas dentro de nós, que nem sempre
são boas. Mas falar do que sentimos e ressentimos nem
sempre é fácil. Ousar expôr nossos guardados,
nossas revoltas, nossos pensamentos e ressentimentos é
mostrar-nos ao outro ou aos outros à luz do dia.
Mas precisamos todos disso de vez em quando, de encontrar palavras,
mesmo que não sejam bonitas, para dizer o que estamos
sentindo. Precisamos aliviar nossa carga, deixar rolar a lágrima
e, sempre que possível, nos colocar à
disposição de outras pessoas que tenham essa mesma
necessidade, sem julgá-las.
Não precisamos ter ombros largos para acolher uma pessoa.
É necessário apenas termos os braços abertos
e alguns minutos de atenção que damos aqui ou
ali podem mudar a vida de muita gente. Fazer o bem custa tão
pouco... me pergunto por que hesitamos tanto!
Aqui
vai mais um texto para hoje:
O
desabafo
© Letícia Thompson
Poucas
coisas são tão pesadas quanto as palavras e emoções
que carregamos dentro de nós. São coisas que não
podemos colocar no chão para descansar um pouco e pegar
depois, com forças renovadas. Elas nos seguem e, por
que não dizer, nos perseguem.
As
vezes nos sentimos pequeninos sim. As vezes queremos não
dizer nada, estar simplesmente nos braços de alguém
e fechar os olhos e outras, gostaríamos de gritar nossa
dor, nossa revolta e deixar que as lágrimas façam
caminho no nosso rosto.
Mas nos calamos... por que reconhecer nossa fragilidade diante
de outra pessoa é expôr-se, entregar-se a ela,
na nudez da alma. E por pudor, medo, vergonha ou orgulho, não
queremos isso.
Portanto, a fragilidade não está em mostrar-se
frágil. Só os fortes são capazes de reconhecer
suas fraquezas para melhor lidar com elas. Ser forte é
desenvolver a capacidade de lidar com as emoções,
que corroem o ser como uma doença incurável.
Desabafar
é abrir as portas do coração e as janelas
da alma. Deixar sair o ar fechado e entrar o sol. É soltar
palavras e acolher alívio; é partir para o grande
vôo da liberdade que todo mundo anseia.
Mas, claro, é preciso sabedoria para se saber onde vamos.
Não podemos sair por aí proclamando a todo mundo
que temos situações mal resolvidas dentro de nós.
Temos que escolher cuidadosamente as pessoas que são
capazes de nos receber com maturidade, sem julgamentos.
Há
pessoas que nos fazem crescer. Os grandes amigos estão
incluídos nessa categoria. A eles então nossas
portas podem ser abertas e as palavras poderão fluir,
até que nos sintamos mais leves.
E há ainda e, principalmente, Aquele que mesmo conhecendo
nosso íntimo melhor ainda que nós, aceita e pede
que nosso coração se abra.
Ele nos pega nos braços, seca nossas lágrimas
e nos carrega no colo. Ele nos leva até a praia e nos
nos apresenta o raiar do dia e o pôr-do-sol... nos diz
que a natureza também dorme, acorda e chora às
vezes, mas que assim é a vida e que o importante mesmo
é continuar de pé, buscando um mundo melhor.
E que vocês estejam nas Américas, África,
Ásia ou Europa, saibam que Deus cuida de nós e
nos ama da mesma forma.
Obrigada
a todos vocês por tudo!
Que
o Senhor conceda a cada um uma tarde abençoada!
Com
muito amor!
Letícia

Ouça
o silêncio
Estamos tão
habituados ao barulho, a falar e falar e temos tantas coisas
para pensar, que não nos passa pela cabeça
que os silêncios, tão preciosos, podem ter
um peso imenso. Pior, talvez, que entrar numa sala onde
todos falam demais, é entrar em uma onde todos se
calam e ninguem sabe em que direção olhar.
O silêncio, essencial
ao nosso viver e à restauração do nosso
bem-estar, precisa ser quebrado às vezes. É quando
ele empurra pra dentro de nós o que não conseguimos
dizer e transformamos isso em lágrimas e isolamento;
é quando ele nos dá a impressão que, mesmo
se gritássemos, ele seria mais forte, pois de qualquer
maneira não seríamos ouvidos. É quando
ele impede nossa vida de ir para frente porque anula nossa pessoa,
aquilo que somos.
Quando calamos nossa dor e nossas razões e aceitamos
submissos nossa condição de pequenos, vamos pouco
a pouco nos tornando pessoas invisíveis aos olhos do
mundo.
É importante fazer
sair nossos sentimentos, nossas revoltas, expôr nossas
feridas ao ar para que sequem mais rápido. É importante
curar nosso eu interior antes que o exterior seja morto por
tudo aquilo que queríamos ter dito e não soubemos.
Ou não encontramos forças para fazê-lo.
É importante sermos nós, inteiros, para que possamos
ser alguém para levantar outros.
Precisamos aprender a
ouvir os silêncios do nosso coração. E,
muito
importante, os silêncios dos corações que
nos cercam. Que não dizem nada e, portanto, falam tanto...
Hoje escrevi sobre o silêncio.
Espero que este texto seja acolhido com braços tão
abertos quanto aos outros. E que faça alguém feliz.
Assim eu sentirei que esse dia de hoje realmente não
foi em vão
Ouça
o silêncio
©
Letícia Thompson
Quem
duvida que o silêncio fala nunca olhou nos olhos de criança
carente, nem de idoso que pede atenção ou dos
solitários que vivem atropelados por multidões
e, ainda assim, sentem-se sozinhos.
Há
muito grito num olhar que não entende a vida, que teme
as despedidas, que, por escolha ou timidez, prefere se calar
diante de uma injustiça. Há discursos intermináveis
em lágrimas escorridas.
Não
é porque as pessoas se calam que elas não têm
nada a dizer. Não é porque não dizem, que
não vivem. Dói muito mais em quem guarda tudo
em si que em quem exterioriza.
Todo
mal, rancor, medo, inquietação, dúvida
que não colocamos pra fora, nos consome por dentro e
isso se transforma em doenças.
Tudo
o que não dizemos, mas sentimos no fundo, maltrata a
nossa alma e modifica nosso comportamento.
Precisamos
aprender a exteriorizar o que nos insatisfaz antes que essa
insatisfação nos leve para um buraco sem fundo.
E
precisamos estar atentos às palavras não ditas
dos nossos pais, filhos, colegas, amigos e a metade escolhida
pelo nosso coração.
Toda
mudança de comportamento pede muito mais nossa compreensão
que nosso julgamento.
E
abrir os ouvidos do coração aos que nos são
caros é muito mais que ter a arte de saber ouvir, é
possuir a grandiosa arte de saber amar.
Letícia
Thompson
contact@leticiathompson.net

Os
talentos
Minha mãe nunca pôde
estudar. Não teve outra formação além
da que a própria vida dá: marido, filhos, casa.
Mas ela recebeu um dom, que nunca enterrou: o da costura. E
eu nunca vi alguém que fizesse tão bem esse trabalho.
Nada de planos, a medida só a fita métrica, os
modelos, na cabeça. Provavelmente o trabalho não
era assim quando começou, mas nenhuma faca nasce afiada,
é preciso trabalho, dedicação, horas. Minha
mãe é meu exemplo, embora eu não saiba
nada de costura e tenha recebido um dom completamente diferente
do dela. E é assim com todos nós.
Dizem que tenho um dom bonito. E eu não duvido. Mas todos
temos um dom bonito, se cada um se aplica a fazer brilhar a
estrela que recebeu. Recebemos todos uma estrela de presente
quando somos formados, mas ela é ainda meio apagada,
ainda primária. É preciso tempo e aplicação
para que comece a brilhar para iluminar os outros. Por que o
dom é um presente que enriquece a quem o tem e a quem
tira proveito dele. Mas se não aprendemos a usá-lo
para que se desenvolva, da mesma forma que os músculos,
ele vai sempre ficar diminuído, atrofiado, mesmo que
exista.
Comecei a me interessar pela escritura aos sete anos de idade.
Desde que conheci as letras, isso me fascinava. Depois, fui
escrevendo, criando, mais pelo prazer que por qualquer outra
coisa. E penso que até escrevi coisas bonitas e úteis
na minha adolescência. Depois, por razões que a
vida conhece, fiquei sem escrever durante onze anos. Foi um
período de seca. Aprendi a conhecer as flores e cultivá-las,
viajei, tive minhas filhas. Até que um dia a internet
entrou na minha vida e recebi um poema. Aquilo doeu em meu peito.
Tive vontade de recomeçar a escrever. Meu dom estava
enterrado e enferrujado, mas estava lá, intacto. E foi
assim que há pouco mais de quatro anos recomecei a escrever.
Foi meio duro no início, eu me empurrava, precisava ficar
mais horas pensando. Mas persisti. O resultado? O site, vocês,
muitas bênçãos na minha vida e, espero,
na de muitas pessoas espalhadas por esse mundo.
Quem pensa que ter dom é só saber cantar, escrever,
compôr, pintar, está muito enganado. Dar de si
aos outros também é um dom, fazer caridade o é,
saber ouvir, saber ficar em silêncio, saber acolher, saber
falar, saber achar as palavras certas na hora certa e tantos
e tantos outros que vocês nem imaginam. Se muitos de vocês
ainda não descobriram ou não encontraram coragem
para desenterrar seu dom, é hora de olhar pra bem dentro
do coração e se perguntar o que vocês fariam
que poderiam deixá-los completos. Porque nossos dons
completam nossa vida, nos dão felicidade. Deve ser por
isso que muita gente vive por aí se sentindo vazio mesmo
quando parece ter tudo.
Escrevi hoje sobre os talentos, como devem imaginar:
Os
talentos
~
Letícia Thompson ~
Talento
é a habilidade para desenvolver os dons com os quais
Deus nos presenteia.
Ninguém
foi feito grande e ao nascermos o Senhor nos oferece, como presente,
um dom. Segundo as oportunidades que recebemos no início
e depois, com nossa própria capacidade para trabalhar
com isso, desenvolvemos ou não esse dom.
Quantas
vezes as pessoas olham para outras que se saem muito bem no
que fazem e se dizem: "- eu queria ter esse dom!"
E eu pergunto: "Por quê? Onde está enterrado
aquele que o Senhor te ofertou?"
Toda
ferramenta não utilizada acaba enferrujando e perdendo
o uso. Ela nunca vai deixar de ser uma ferramenta, mas poderá
ser útil ou inútil. É como o próprio
corpo que se não exercitado pode diminuir suas funções.
Deus
nos deu a cada um uma medida para a nossa contribuição
aqui na terra, para o enriquecimento daqueles que passam por
nós e para que, em nós, sejamos completos. Uns
enterram essa medida, outros a dobram e os mais sábios
a multiplicam.
É
importante, muito importante, colocar todo o nosso coração
naquilo que fazemos e o resultado virá por si só.
Seu
dom é cantar? Cante como ninguém! É escrever?
Coloque sua alma em palavras! É ser hospedeiro? Abra
seus braços e acolha com todo amor. Quem sabe não
seja seu dom o de ouvir as pessoas? Ouça, então,
com o coração aberto!
Há
no universo tanta variedade de dons quanto há de flores
e pássaros! Se o mundo ainda não descobriu o que
você tem de melhor dentro de si para oferecer, desenterre
seu presente, limpe-o, trabalhe até que sua contribuição
na terra seja revelada!
Não
existem dons grandes e dons pequenos, pois Deus nos confiou
aquilo que Ele pensava nos fazer felizes. As mãos não
são mais importantes que os pés e os olhos não
são melhores que a boca. Cada qual, com sua participação,
enriquece nosso corpo, dá vida, dá utilidade.
Ter
talento é ter habilidade. É sim. Habilidade de
render a Deus a graça com a qual Ele nos ofertou.
Deus os abençoe
com a uma linda e estrelada noite!
Abraço carinhoso e até amanhã, se Deus
quiser!
Letícia

Quando o sol já aquece essa
minha linda Bélgica, as estrelas ainda encobrem o céu
de muitos vocês. Eu gosto de estar aqui escrevendo, pensando
em vocês sem que tenham consciência que em um pontinho
do mundo alguém possa estar pensando. Espero que estejam
tendo lindos sonhos... de amor, quem sabe? E hoje, eu falo um
pouco sobre isso justamente: o amor! Sim, eu sei, o assunto
é corriqueiro e acho que mais que dissecado. Mas ele
é tão múltiplo, tão diversificado,
que a gente sempre acaba achando alguma coisinha a mais pra
dizer. E eu digo...
Falo das almas gêmeas. Em francês diz-se "l'âme-soeur",
que quer dizer alma-irmã. E de qualquer forma, qualquer
que seja a segunda tradução, é sempre alma
a primeira palavra. E por quê? Porque o que procuramos
é encontrar uma outra alma que possa amar a nossa e vice-versa,
mas nossa visão prática do mundo, nossas ilusões
causadas por sonhos demasiados baseados pelo padrão de
beleza imposto pela sociedade, nos impedem de chegar ao cimo
desse monte. Mas se fecharmos os olhos à aparência,
poderemos encontrar mais facilmente aquela pessoa que vai segurar
nossa mão nessa caminhada. Muitas pessoas estão
sozinhas porque deixaram passar as oportunidades e essas...
às vezes voltam, mas nem sempre!
Aqui vai, então, um pouquinho de reflexão para
o dia de hoje:
Obrigada a todos vocês que vivem comigo na partilha da
amizade! Penso que mais que 95% das pessoas com as quais tenho
contato eu não conheço o rosto... mas que importa
isso, se nos completamos no pensamento e no coração?
Às vezes é suficiente saber que em algum cantinho
do mundo alguém pensa na gente pra fazer nosso coração
bater mais forte.
A
outra metade
Letícia
Thompson
Almas
gêmeas não são duas metades iguais, mas
duas metades diferentes que se completam.
Existe
muita gente sozinha no mundo, justamente porque essas pessoas
procuram a outra metade igual a elas, ou seja, o reflexo de
si. Ora, pra achar a outra metade de si mesmo é suficiente
se olhar no espelho.
Diz-se
de modo carinhoso que o outro é a metade da sua maçã.
E eu já percebi que muitas vezes a outra metade da maçã
é mais tortinha, sem jeito, menos bonita... mas ainda
assim a metade daquela maçã. E por que na vida
não poderia ser assim? Que a outra metade seja diferente,
que não tenha exatamente os mesmos gostos, nem talvez
a mesma formosura, mas que tenha aquele quê que nem sabemos
explicar e nenhuma outra metade vai se encaixar de forma tão
harmosiosa para formar um todo tão perfeito com a gente.
Quem
já não encontrou casais desencontrados? Um grande,
o outro pequeno; um feio, o outro bonito; um bem mais jovem,
o outro mais vivido; um tímido, o outro extrovertido...
e assim pela vida afora. E nos perguntamos intimamente o que
os mantêm juntos. Mas se pensarmos mais profundamente
nessa questão chegaremos a conclusão que são
essas sim, as almas gêmeas. Dois seres diferentes, mas
se amando o bastante para superar as diferenças, viver
e conviver com elas e apesar delas, contra todo pensamento,
contra todo questionamento, contra toda opinião alheia.
O
papel da alma gêmea é completar os vazios, preencher
os vácuos, enriquecer onde o outro tem necessidade...
é um dar e receber que só envolve os dois.
A
alma gêmea é o complemento do outro, não
sua extensão.
Quem
corre atrás da sua sombra vive eternamente insatisfeito,
eternamente à procura. Mas aquele que abre os olhos e,
principalmente, o coração, pode perceber que sua
alma gêmea encontra-se do lado. É preciso se estar
atento aos sinais que não enganam para o encontro com
aquela pessoa que poderá ser nossa companheira na jornada
da vida.
Se
o amor te acenar, não diga não de imediato só
porque ele chegou diferente do que você esperava. Não
se esqueça que por detrás dessa nossa capa humana
existe uma alma.
Se
no seu caminho uma outra alma completar a sua, independente
da aparência física, independente até de
tudo aquilo que você sonhou, você vai ter encontrado
a sua metade, seu amor, seu quinhão de felicidade.
Um maravilhoso e abençoado
dia a cada um de vocês!
Deus os abençoe... e até
breve!
Um carinhoso e forte abraço,
Letícia

Os
complexos
Dia 21 de julho de 1969 vai ficar
marcado para toda a humanidade. Nesse dia o homem varou o espaço
e alcançou a lua. Claro que os poetas já tinham
chegado lá bem antes, mas isso não se conta. E
esse dia marcou toda a minha vida. Não por que o homem
tenha pisado na lua, mas porque eu fui queimada nesse mesmo
dia. Apesar dos meus cinco anos de idade, me lembro das pessoas
um pouco alvoroçadas, de eu estar nos braços do
meu pai, do hospital. De dor, não me lembro nenhuma.
A dor veio depois, quando entrei no primário. E não
tinha nada a ver com dor física.
Os médicos fizeram um excelente trabalho e não
guardei cicatrizes no rosto ou nos braços, mas uma ficou
um pouco abaixo do pescoço, indo pro lado direito. Isso
não me incomodava, até que alguns colegas de escola,
principalmente meninos, acho até que sem maldade, comentaram.
À partir daí comecei a querer esconder. Como minha
mãe costurava pra mim, eu nunca gostava de vestido ou
blusa com alça, porque assim as pessoas não veriam.
Ter um complexo dói muito na gente.
E durante alguns anos eu sofri com isso. Até a adolescência,
onde percebi que os rapazes não deixavam de se interessar
por mim por causa disso e que eu podia ter tantos amigos quanto
quisesse. Aprendi a ser engraçada, um pouco palhaça
mesmo (e isso deve surpreender muitos de vocês, que pensam
que sou uma pessoa muito séria ou mesmo triste), atraía
facilmente as pessoas a mim. O complexo acabou? Talvez não
a 100%, mas ele deixou de ter importância. Fiquei acima
dele.
Muitas pessoas sofrem por causa de complexos. Ou não
se acham bonitas o bastante, ou são gordas ou magras
demais, altas ou baixas demais, têm grandes orelhas ou
nariz, ou um defeito físico, cada um sabe do que não
gosta em si... e a intolerância de certas pessoas pode
fazer com que isso se acentue. Mas nós somos o que somos
e apesar de todas as nossas imperfeições, Deus
nos criou perfeitos na alma. E tem coisa mais bonita que isso?
As pessoas intolerantes com as diferenças, se essas realmente
existem, não se olham bastante no espelho. A perfeição
não existe e o máximo que as cirurgias plásticas
conseguem é criar coisas artificiais. Mas nós
podemos mudar, podemos nos aceitar como somos, aprender a viver
com nosso eu e podemos fazer sobressair o que temos de melhor
em nós. Podemos até, no fim das contas, rir de
nós ao percebermos que o que nos incomoda pode até
fazer nosso charme, nossa diferença. Achei graça
quando uma amiga minha disse uma vez: "quando alguém
ri de mim, eu rio também." Ela é que é
feliz e tem razão, pois é mudando nosso comportamento
que mudaremos o olhar do mundo para nós. Somos pessoas
ricas demais em muitas coisas para que possamos dar tanta atenção
a uma pequena coisa que pode nos destruir.
Em Isaías 53:2, acerca da profecia sobre Jesus lemos:
"Não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós
para Ele, nenhuma beleza víamos para que O desejássemos."
E abaixo, no versículo 5 lemos:
"... o castigo que nos traz a paz estava com Ele e pelas
Suas pisaduras fomos sarados."
Não é maravilhoso isso?
Aqui vai o nosso texto para hoje:
Que Deus os abençoe, pois Ele ama a cada um de nós
do jeitinho que nos formou e tudo o que quer é que sejamos
felizes!
Abraço forte e carinhoso!
Letícia
Os complexos
Letícia Thompson
Se
fossem simples, já não teriam esse nome. E se
têm é porque fazem torta a vida de quem sofre com
eles.
Os
complexos são impressões que sentimos que o mundo
inteiro está concentrado na nossa pessoa. É como
se houvesse um projetor sobre nossa cabeça, mesmo e,
talvez principalmente, em plena luz do dia.
É
algo que dói tão profundamente e tanto mais se
não pode ser mudado. As pessoas em volta não percebem
isso. Aliás, a realidade é que elas se importam
pouco com os complexos de outros, a pessoa que mais se importa
com isso é o próprio complexado. E é a
única pessoa que sofre também. Sofre no âmago.
Se algo não for feito, a tendência é a anulação
na pessoa das grandes qualidades por uma pequena diferença.
O
remédio? Antes de tudo aceitação. Aceite-se!
Se há algo em você que te incomoda e que você
não pode mudar, aceite! Comece por perceber que não
existe um projetor sobre sua cabeça, que o mundo não
para de girar quando você chega e que todas as pessoas
não olham pra você. Pare de se comparar com esse
ou aquele outro, porque você não sabe, mas é
possível que essas pessoas que você olha tenham
elas também seus complexos, outros, e que até
gostariam de trocar de lugar com você.
E
se acontecer de você ter realmente algo "diferente"
e alguém se divertir com isso, divirta-se também.
Se você se vê com naturalidade e bom humor, os outros
aprenderão a te ver dessa forma. E vão te admirar
por isso.
Olhe-se
bem no espelho. Há certamente algo bonito em você,
que seja no físico ou na alma. Realce isso!!! Se você
deve chamar a atenção de alguma forma, que seja
pelo seu bom humor, suas gargalhadas, seu jeito de olhar ou
conversar com as pessoas.
Não
sei se você sabe, mas diz a Bíblia que Jesus "não
tinha parecer, nem formosura." E nós o amamos pelo
que Ele foi, pelo que Ele é e pelo que Ele será
na nossa vida.
O
dia que você partir, ninguém vai se lembrar do
que você não tinha, mas do que ofereceu, do que
deixou, da amizade e da saudade que soube cravar nos corações.

A
franqueza é uma escolha difícil para os relacionamentos
não maduros.
Talvez por ser mal usada, mal interpretada e mal compreendida.
As pessoas preferem então calar seus verdadeiros sentimentos,
assim não ferirão outros.
Porém tudo o que é não dito, mas ressentido
no âmago, não desaparece como por magia, essas
coisas permanecem e nos fazem muito mal. Querendo agradar outros,
ou guardar relacionamentos, prendemos as pessoas a nós
sendo o que elas esperam de nós e não aquilo que
somos. Quantos casais depois de anos e anos de casamento, num
momento de briga, não dizem coisas que ficaram guardadas
até mesmo por anos e que o outro nem mais se lembrava?
Nas amizades e relações familiares acontece o
mesmo. Não ousamos ser nós porque sempre achamos
que o outro não está preparado para nos receber.
E geralmente não está mesmo.
Complicamos demais a vida quando deveríamos simplificá-la!
Com amor
deveríamos ter mais coragem de ser e o ser humano está
ainda longe disso.
Mas nós caminhamos... se de algum lugar se deve começar,
nós então
começamos.
Um
pouquinho de reflexão para hoje:
Os
não ditos...
©
Letícia Thompson
As palavras
às vezes cortam como uma faca e de maneira irrefletida
ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno.
Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos,
quando tudo o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.
Essas
coisas são os não ditos das relações
e da vida.
As
palavras que não dizemos, mas não enterramos também,
estão sempre entre nosso coração e nossa
garganta e nos ferem interiormente. São opções
que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja,
simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros
e límpidos.
A
comunicação é a base de todo relacionamento
saudável. Pessoas que se amam, que seja na amizade, no
amor ou nas relações familiares, devem estar prontas
para serem quem são, para perdoar e receber perdão.
Não
nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro
nos ouviria com a alma, nos entenderia e continuaria a nos amar,
apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais maduras que pareçam,
nem sempre estão prontas para ouvir as verdades, se essas
forem doloridas. Assim são criadas as relações
superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos
e sufocamos.
Nos
falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição,
aceitar que o outro possa não gostar de algo em nós
e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de sermos
nós, sem essa máscara que nos torna bonitos por
fora e doentes por dentro.
A
comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas
e certas, concertaria muitos relacionamentos, sararia muitas
almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.
Sabemos
que as pessoas nos amam quando nos conhecemprofundamente, intimamente
e continuam nos amando. Quando com elas temos a liberdade e
coragem de dizer: isso eu sinto, isso eu sou.
Quem
me conhece há mais tempo deve estar surpreso em receber
atualizações três dias seguidos, pois não
é meu hábito. Mas tenho minhas razões,
ou meu coração as tem. A verdade é que
meu coração está cheio de palavras e Deus
me proporcionou esse tempo para colocá-las aqui.
Conto
agora com uma equipe, graças à boa disposição
de alguns entre vocês.
Ainda tomaremos uns dias para que tudo esteja em ordem, mas
penso que até a próxima semana já estaremos
organizados. Agradeço de coração a todos
esses anjos que se dispuseram. Deus os recompensará.
Obrigada
a todos vocês pelo carinho, e-mails, palavras que nem
sempre sei
como responder. Peço a Deus que abençoe a todos,
cada qual segundo seu coração.
Tenham
um lindo e muito abençoado dia!
Com
amor, Letícia

Eu não sei
se é o tempo, cada vez mais agitado, o progresso, essa
corrida constante, mas as pessoas fatigam-se mais depressa,
entram em fase de depressão, desanimam, nem que seja
por curto lapso de tempo, ante dificuldades. Se assim não
fosse, não haveria tanto sucesso com os livros e
mensagens de auto-ajuda. Todo mundo quer buscar alguma coisa
a que se apegar, para não deixar o barco afundar. E isso
nada tem a ver com ser positivo ou não, ser fraco ou
frágil. O desânimo é como a chuva, mesmo
aqueles que sempre estão protegidos por um guarda-chuva
estão sujeitos à algumas gotas. Mas não
é o evitar que nos faz andar para frente, é o
parar, reconhecer para melhor aprender a lidar, é o encarar.
Nosso sentimento de solidão
diminui quando vemos que outras pessoas também passam
por esses altos e baixos e que sobrevivem. Nos dizemos então
que essas etapas fazem parte da vida e se isso é a vida...
vamos abraçá-la, por
que o importante mesmo não é chegar intacto, mas
chegar a algum lugar. E nós, se a tristeza nos invade
e uma vozinha nos diz que as coisas estão difíceis,
temos um Pai Amado clamando alto e forte: nunca vos abandonarei!
Esse é nosso consolo, isso é nossa glória!
Hoje escrevi sobre o desânimo
e que ele traga ânimo para as almas, incentivo para se
olhar na direção do sol e das coisas boas da vida:
O
desânimo
© Letícia Thompson
Deveríamos
todos parecer flores no início da primavera. A própria
imagem da vida, abertos, viçosos, esperançosos
e sorridentes, muito sorridentes aos passantes.
Só
que a vida é um lutar constante. Quando chegamos prontos
para a batalha, não sabemos ainda como serão as
lutas, o que vão exigir, o que vão tomar de nós.
E é assim em várias áreas da nossa vida,
que seja física, espiritual, amorosa, nos nossos relacionamentos
com os outros...
O
lutar nos cansa; as respostas que tardam a vir nos cansam, as
esperanças prorrogadas ao dia-a-dia podem tornar-se cansativas.
A fadiga chega, o desânimo se apossa de nós e tira
nossas forças.
A
fadiga psicológica é muito mais perigosa do que
qualquer outra que venha tomar conta de nós. Não
basta uma noite de descanso ou uns dias de férias. Oxalá
fosse assim! Muitos dos nossos problemas seriam resolvidos a
cada fim de semana.
Quando
nos deparamos com uma situação em que não
vemos saída é inútil continuar se debatendo,
isso só vai aumentar o desânimo.
É
preciso em certos momentos deixar-se abandonar, não para
desistir, mas para se recuperar as forças, olhar com
objetividade, dar-se a ocasião de reconhecer-se fragilizado
e humano e, por isso mesmo, igual a todo mundo. Há os
que nunca perdem a coragem e vontade de lutar, mas ainda não
conheci alguém que nunca tenha tido um momento, nem que
seja um momento, de desânimo. E não é errado,
não é anormal.
É
apenas nosso ponto de limite e isso é muito individual,
por isso nada de comparações. Ninguém é
melhor que ninguém por que parece mais forte e resistente,
as pessoas apenas são diferentes.
Jesus chorou, mas não desistiu de Jerusalém. Ele
pediu que o cálice fosse passado, mas carregou a cruz
e foi pregado nela.
Vocês
já observaram flores que ficam muito tempo sem água?
Elas murcham, ficam abatidas. Mas em geral é suficiente
um copo de água fresca e logo depois elas reerguem-se,
como muitas quando recebem o sereno na madrugada. Chegam prontas
para enfrentar o dia. E é assim conosco.
Que
as lágrimas venham, venham sim! E que venham os tempos
de estia! Mas que não morramos de fraqueza, que a noite
chegue trazendo o sereno, que a primavera volte! Quantas e quantas
vezes é suficiente levantar um pouco os olhos para ver
que as soluções estavam ao nosso alcance, a gente
é que estava cansado demais para procurar direito.
Disse
Jesus: No mundo tereis aflições, mas tende bom
ânimo! Eu venci o mundo.
E
se estamos em Cristo e Ele em nós, nenhum obstáculo
será intransponível, nenhuma estrada será
longa demais
Obrigada mais uma vez a todos vocês
que fazem parte da minha vida e os que estão chegando
agora, sintam-se, por favor, em casa.
E que os braços do
Pai os acolha mais nesse dia, mais nessa semana! E desejo muita,
muita coragem, muito ânimo! Saibam que mesmo quando a
gente desanima, Deus não desanima. E Ele continua acreditando
em nós.
Um forte abraço cheio
de amor e até a próxima!
Letícia

O equilíbrio
é fundamental na nossa vida. Todo tipo de equilíbrio.
Não ficar balançando de um lado para o outro e
tentar ir em linha reta, mas andar corretamente ou o melhor
possível. Dar o melhor de si já é um passo
importante na busca desse equilíbrio tão essencial.
Nossa sociedade não
é equilibrada. O meio ambiente está desequilibrado.
Mas se o próprio homem não achar equilíbrio
em si mesmo, nada vai voltar a ser normal, o mundo vai caminhar
para um caos ainda maior. Para consertar o mundo, é necessário
consertar o homem e para consertar o homem é necessário
que este tenha consciência que está pesando demais
de um lado da balança e que isso não é
normal.
Digo no texto que mesmo
a dor é necessária ao nosso equilíbrio.
Me lembro de ter visto um programa na tv sobre uma criança
que tem uma doença rara e a conseqüência é
que ela é insensível à dor. Muitos diriam,
como eu ouvi, que seria o paraíso. Será? Ora,
ela pode quebrar uma perna e não sentir nada, pode se
queimar, pode desenvolver uma outra doença interna...
e não sentir nada!!! É realmente isso o paraíso?
Eu diria mais que é o contrário. As dores, as
quedas, as desavenças, são sinais de alarme, são
sinais que precisamos fazer alguma coisa, que precisamos lutar.
Por isso não devemos proteger demais nossos filhos das
experiências da vida, porque precisam saber o que é,
precisam adquirir imunidade, precisam aprender a utilizar as
mãos, a cabeça, o bom senso. Dói na gente
ter que dar lições aos filhos, dói muitas
vezes dizer não, mas eles precisam aprender os verdadeiros
valores e aprender a viver. Para o amadurecimento é necessário
sol, chuva, calor, vento fresco, noites e dias.
Vamos, então, ao
nosso texto de hoje, antes que eu fale demais e não tenham
mais coragem parar ler:
O equilíbrio
Letícia Thompson
Tudo
o que é desmedido causa dano. Comer demais é tão
nocivo quanto comer de menos. Uma vida sedentária conduz
tanto à destruição quanto uma vida corrida.
E
o amor? O amor também. Amor ao outro, aos filhos, a uma
causa... tudo aquilo que nos ultrapassa, nos faz esquecer-nos,
nos torna dependentes e vulneráveis é prejudicial.
O
amor exagerado ao parceiro, sufoca-o. O ciúme doentio
pode levar um a querer experimentar exatamente o que o outro
teme tanto, para que, enfim, este tenha razão e possa
se sentir justificado. E as pequenas mentiras dentro de um casal
surgem também à partir daí. Faz-se coisas
às escondidas, às vezes sem grande importância,
mas que se o outro souber vai causar brigas. Estabelece-se assim
a dualidade entre os casais mais unidos. É aí
que os caminhos começam a se separar.
Pais
que amam tanto os filhos que fazem tudo por eles e no lugar
deles, os deixam despreparados para a vida. É como agasalhar
demais, dar presentes demais, estar sempre disponível,
não saber dizer não. A vida nunca se conduz como
pais protetores e não é raro ver criminais que
foram superprotegidos na infância e adolescência.
Toda
pressão conduz à necessidade de sair dela. A proibição
absoluta é um grande abismo atraente.
E
o excesso de liberdade pode conduzir à libertinagem.
Filhos livres demais são tão infelizes quanto
os que se sentem em prisão. Sentem-se mal-amados. Não
podemos viver a vida dos nossos filhos por eles e não
podemos deixá-los vivê-la completamente sozinhos,
pois nosso papel é justamente educá-los, mostrar
o que é certo e errado, deixar que façam suas
experiências e estar do lado para quando precisarem.
Mesmo
a dor é necessária e útil ao nosso equilíbrio.
O
equilíbrio é o sal na vida, é o tempero,
o que dá gosto. Deve haver sempre uma balança
em todas as nossas ações. Não dizemos que
as pessoas loucas são desequilibradas? Para essas pessoas
não existe meio termo, alguma coisa nas suas vidas pesou
tanto que causou essa desigualdade essencial a uma vida sã.
O
que é normal e anormal nas nossas atitudes no dia-a-dia
nem sempre é visível aos nossos próprios
olhos. Nossos conceitos podem cegar-nos e frequentemente precisamos
de um olhar exterior que nos mostre onde estamos errando. E
aí precisamos estar abertos a críticas, não
como algo prejucidial, mas como uma nova visão daquilo
que pensamos.
Viver
bem é viver na boa medida, é não ser dependente,
não criar dependentes, é dar ao eu e ao outro
a liberdade de ser, estando porém, do lado.
Viver
bem é aprender a arte de bem-viver.
Fiquem com
Deus e aqui deixo meu abraço cheio de amor
e agradecimento
a todos!
Letícia

E
é nesse inverno seco e difícil que aprendemos
que o sol não muda, que a lua continua encantando, que
as flores continuam nascendo e que a vida nos espera sorrindo
e de braços abertos.
Eu
conheço uma pessoa que não gosta de rosas vermelhas
por que uma pessoa que ela amava se foi e como este amava rosas
vermelhas, pediu que colocassem na sua última viagem.
Quando ela me disse isso, eu repliquei: no seu lugar, eu amaria
ainda mais rosas vermelhas. No seu modo de ver, essas rosas
lembram a partida; no meu, lembram que essa pessoa as amava
ao ponto de querer tê-las por perto até o fim.
Mas não a critico, apenas penso diferente. E é
assim com a vida. Cada um de nós reage de maneira diferente
diante dos mesmos acontecimentos. Passamos pelas mesmas coisas,
vistas e sentidas sempre de modo pessoal e único.
É muito fácil falar sobre a vida, pois quanto
mais falamos, mais temos a impressão que ela entra em
nós. Mas falar sobre a morte... dá sempre aquele
aperto no peito. Portanto, é importante falar, é
importante saber que ninguém precisa estar só
por que vivencia perdas e que passamos todos por esse caminho
doloroso, que não representa somente a morte física,
mas a várias situações da vida.
E é sobre o luto que eu resolvi escrever um pouquinho
hoje:
O
Luto
~
Letícia Thompson ~
O
luto é a tristeza profunda da alma após uma grande
perda.
A
perda definitiva de uma pessoa querida e a dor que isso causa
é a forma mais evidente do luto, que é necessário
para que se possa continuar vivendo. Nesse período, pouco
compreendido pelos que estão de fora, a pessoa faz uma
retrospectiva da própria vida e de tudo o que foi vivido
com a outra pessoa, ela pesa, mede, se questiona e vai assim
digerindo o acontecido. Só depois da aceitação
da evidência do não retorno e da compreensão
de que é preciso continuar vivendo é que se pode
continuar a caminhar e pensar em construir novos caminhos.
Aceitar
uma perda não é estar contente com ela, mas simplesmente
compreendê-la. Muitos não conseguem dissociar essas
duas coisas e é a razão pela qual sentem mais
dificuldade para sair do período do luto. É como
se, saindo disso e passando a outra coisa, outras pessoas pudessem
julgá-los. Por isso uma pessoa de luto teme o sorrir
de novo, o se alegrar, o estar bem: é o olhar acusador
dos outros que pesa sobre ela ou melhor, a idéia de que
vão lhe acusar, como se sorrir de novo fosse amar menos
quem partiu, fosse demonstrar um menor sentimento de pesar.
Somente
quando ela entender que o amor que sentimos por uma pessoa não
pode ser medido pelo tempo que passamos digerindo a sua perda,
é que ela vai poder continuar sua vida. Alguém
que parte do mundo, parte fisicamente, mas fica nas lembranças,
no vivido, no coração.
Associado
à morte, o luto é, portanto, vivenciado de todas
as maneiras e por todas as pessoas em vários períodos
da vida, mas de forma menos evidente.
Cada
vez que passamos por uma situação que nos fere
e muda algo em nós, precisamos desse período de
silêncio interior para que aceitemos a situação
antes de ir adiante. Assim, precisa de um período de
luto quem passa por uma separação, a perda de
um trabalho, uma mudança radical na vida. Esse tempo
em que pesamos e avaliamos os acontecimentos, nos culpamos e
nos desculpamos, choramos e expurgamos as mágoas e dores
e nos preparamos para um novo recomeço.
E
é nesse inverno seco e difícil que aprendemos
que o sol não muda, que a lua continua encantando, que
as flores continuam nascendo e que a vida nos espera sorrindo
e de braços abertos.
Desejo
a todos um dia cheio de paz, mesmo se em alguns lugares no mundo
algumas pessoas se esqueceram o significado dessa palavra. Que
a serenidade possa estar presente em cada coração!
Obrigada
a todos pelo carinho. Que o Senhor os guarde debaixo da Sua
infinita graça!
Com
muito amor,
Letícia

Quantas
vezes as pessoas desistem da vida porque desistem de esperar?
Temos tanta pressa com tudo!... Como se a vida fosse um mar
de problemas para uns e um mar de rosas para outros!... Não
vivemos o que outros corações vivem e nem podemos
viver, mas como podemos aprender com cada coisa que surge a
cada instante!
Há
algo mais singelo, sublime e belo que as flores que nascem entre
as pedras? Elas germinam, avançam e sobressaem-se, mesmo
se tudo à volta parece árido e seco. Embelezam,
apesar das asperezas, da seca, dos maus dias. Aprendemos com
a natureza que o mundo tem jeito, que podemos nos resguardar
e permanecer inteiros, apesar das situações que
parecem querer nos enfraquecer e derrubar. Aprendemos com as
estações que não se desiste da vida, nem
de ser, nem de tentar, nem de querer e que será sempre
possível dar a volta por cima, apesar das contrariedades
do caminho. O majestoso sol deixa-se muitas vezes encobrir por
nuvens, mas ele volta sempre e sempre.
Fomos
feitos para viver. Fomos criados para bem viver. Somos flores
às vezes em terra fértil, outras em terreno árido,
mas flores ainda; somos sóis e luas que não desistem
de renascer. Somos poços de problemas ou rios de felicidade,
mas somos cheios de possibilidades e o melhor de nós
pode sempre sobressair, como tímidos e firmes raios de
sol que varam as nuvens e acabam iluminando o dia.
Aqui
vai um pouquinho de reflexão:
E
o sol nasce novamente
©Letícia Thompson
Há ocasiões em nossa vida
que a noite parece interminável. É assim quando
todas as esperanças parecem ter ido procurar refúgio
em algum lugar, menos no nosso coração.
Não
somamos nossas alegrias como somamos nossos problemas. Quando
passamos por um caminho difícil, fazemos uma revisão
do que vivemos e temos vivido e somamos as dores, que parecem
crescer a cada lembrança.
Se,
inversamente, fizéssemos o mesmo com nossos momentos
de alegria, encontraríamos razões a mais para
viver e forças suplementares para sobreviver aos impasses
da vida.
Por
mais longa que seja a noite, por mais lento que tenha sido o
relógio e por mais dolorido que tenha estado nosso coração,
o sol nasce novamente. Pouco importa se no dia seguinte ele
estará ainda encoberto por nuvens, ele não estará
encoberto eternamente.
A
certeza de que algo de bom e bonito existe nos faz guardar ainda
acesa a chama dentro do coração. Se o sol vai
e volta, a lua some e reaparece, as marés baixam e sobem,
não há razões para que na vida não
demos a volta por cima. A natureza é a prova viva de
que tudo está em movimento sempre e nós fazemos
parte dessa paisagem idealizada e plantada por Deus.
Tudo
é passageiro, as alegrias vêm e vão, mas
o sofrimento também, até mesmo aquele que se instala
no mais profundo do nosso ser, ele também se acalma e
deixa um lugarzinho aberto para a doçura de viver.
Não
podemos desistir de ser felizes enquanto o sol não desistir
de renascer.
Eu
estou feliz. Dia 1 de agosto estarei viajando ao Brasil por
três semanas para o lançamento do meu livro. Vou
estar em São Paulo capital, Bauru, Campinas, Espírito
Santo e Rio de Janeiro. Vão ser certamente dias ocupados,
mas quando ocupamos nosso coração com alegrias
nem sentimos cansaço. Espero reencontrar velhos amigos
e encontrar alguns novos. Voltarei a falar no assunto quando
estiver mais próximo.
Um enorme obrigada a todos vocês pelo carinho que têm
para comigo!
Que o Senhor faça sempre sair o que há de melhor
no coração de cada um de vocês e que a esperança
caminhe sempre de mãos dadas, mesmo com aqueles que às
vezes pensam em desistir!
Um abraço cheio de ternura a cada um de vocês!
Letícia


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Quem
teme o Senhor está aprendendo a ser sábio.
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