Pouco recebemos de Deus por que pouco conhecemos dEle. Cremos tudo saber da vida e acreditamos tudo poder dirigir até o dia em que de mãos e pés atados erguemos os olhos aos céus e dizemos: "Deus, onde estás?" E esse nosso grito se perde no espaço sem resposta porque Deus sempre esteve onde nosso coração o pôs. Oramos mais a nós mesmos que a Deus quando pedimos incessantemente por coisas as quais recusamos de forma absoluta um não. Pedir é se colocar à disposição para respostas negativas ou positivas e mesmo se os "nãos" são sempre dolorosos (porque inesperados!) eles nos mostram com freqûência outras saídas, outras formas de ver a vida. Eles nos fazem crescer e abrem-nos os olhos para outros caminhos.

Se nossas orações nos dão a impressão de que não passam das paredes da casa, talvez nosso coração não esteja assim tão aberto para receber o Pai ou então estamos nos fazendo de surdos para as respostas que está nos enviando. Eu disse uma vez e repito: nosso coração é uma casa fechada por dentro e só nós temos a chave, que utilizamos ou não, mesmo para Aquele que nos criou.

Se me permitem, gostaria de enviar não um, mas dois textos hoje. Talvez para me fazer perdoar por estar tão ausente... talvez por que alguém esteja precisando de alguma palavra que eu venha a dizer... não sei. Mas aqui vão os textos:

A oração que Deus ouve

© Letícia Thompson

Por que temos às vezes a impressão que a oração não passa do teto da casa? Por que tantas palavras parecem inúteis ou imensos gritos mudos, onde a resposta fica em algum lugar, mas sempre distante daquele que estamos?

Não é a quantidade de palavras que usamos, nem o tempo que passamos de joelhos que torna nossa oração mais verdadeira, ou mais acessível a Deus.

Deus não vê palavras bonitas, não se interessa por vocabulários ricos e citações difíceis. Ele ouve o coração. O que a boca diz, o que a mente recita podem ser meros desejos humanos e, por essa mesma razão, não passam dessa esfera em que nos encontramos.

Nossa ansiedade e urgência por respostas colocam barreiras entre Deus e nós. Pedimos o que queremos e perdemos a humildade de aceitar o que Ele tem para nos oferecer, se isso vai de encontro ao que desejamos.

Oração é petição, mas nosso orgulho transforma o pedido em desejo único e incontestável.

Muitas respostas que não veem são somente "nãos" que não quisemos interpretar como tal, o que torna nosso calvário mais longo, pois continuamos esperando e esperando... e carregamos no peito essa amarga sensação de que Ele não nos ouve, que nossa oração é vazia e inútil.

Mas aprendi nesse caminho que a oração que Deus ouve é aquela que vai do nosso coração ao Seu coração, ela não vai a Deus, mas O traz a nós, e que faz uma grande diferença para nosso crescimento espiritual e pessoal.

Assim nosso coração aceita que talvez tenhamos nos enganado de caminho, como tantas vezes nos enganamos na vida, mas que Deus, na Sua infinita sabedoria soube agir por nós.


 

A paz interior
© Letícia Thompson

A paz interior é esse caminho que queremos todos atravessar. É essa senda onde as culpas ficaram para trás, o sentimento de dever cumprido fica presente e o arco-íris aponta para o infinito. Buscamos todos, com vontade, força, verdadeira luta.

Somos, talvez, um pouco desajeitados nessa nossa busca. Queremos sim, com a força do nosso coração e da nossa alma, mas tropeçamos sempre nesses sentimentos humanos que nos fazem, se não iguais a todo mundo, bem parecidos.

Acumulamos os restos do dia, nos esquecemos de varrer a casa da alma a cada noite para o repouso tranqüilo e reparador para o novo recomeço na manhã seguinte.

Temos dificuldade em perdoar, esquecer, passar por cima e ir em frente. E a alma se inquieta, a paz tarda a chegar porque colocamos, nós mesmos, impedimentos. Achamos que dar o braço a torcer e seguir em frente seria nos curvar e somos por demais orgulhosos para isso. Optamos, então, por buscar a paz de outras maneiras. Outras maneiras... como se existissem...

Não haverá paz no mundo enquanto ela não começar no coração do homem. Enquanto esse mesmo homem não começar a tirar de si as pedrinhas que incomodam a si e aos outros e não pensar na felicidade alheia como um objetivo tão importante como a felicidade própria.

Não haverá paz interior enquanto o exterior estiver em guerra, enquanto não compreendermos que somos o sal da terra e que se nossa luz não brilhar todos os caminhos serão escuros.

A paz interior não está no alto ou em baixo, nos mares ou nas montanhas e nem mesmo nas maravilhosas flores que tanto nos fascinam.

A paz interior começa onde começa nossa compreensão de que nada somos se de nós não damos. Se não a encontramos, é porque buscamos errado. Ela não começa do lado de fora, ela começa e se termina em nós.

copyright © 2008

Obrigada a todos vocês por estarem sempre comigo, seja presentes, seja em oração.

Que o Grande Pai esteja sempre presente para cada um, que os dias sejam ensolarados de dia (com gostosas chuvas de vez em quando para refrescar) e que as noites sejam enluaradas e belas!...

Com muito, muito amor.
O meu mais apertado abraço,
Letícia

 

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