

O
HARPISTA
lettie
cowman
O
que Eu faço tu não sabes, agora,
depois o entenderás.
Meus caminhos não são os teus caminhos.
Crê somente e tem paz!
É
preciso ver o carinho com que um harpista trata a sua harpa!
Ele a dedilha como quem acaricia uma criança a repousar
nos seus braços.
Sua vida gira em torno dela. Mas, observemos quando ele a afina.
Toma-a com firmeza e num movimento brusco, fere-lhe uma corda,
e enquanto ela estremece como num ai, ele se inclina sobre ela
atentamente para apanhar o primeiro som que vem. A nota, como
ele temia, é desafinada e áspera.
Ele
vai esticando a corda com a torturante cravelha,
embora ela pareça pronta a rebentar pela tensão,
ele ainda a fere de novo, inclinando-se para ouvi-la, atento como
antes, e assim prossegue,
até que lhe vemos um sorriso no rosto, quando o primeiro
som limpo e perfeito se faz ouvir.
Pode
ser que Deus esteja lidando assim conosco.
Ele nos ama muito mais
do que um harpista ama a sua harpa, mas encontra em nós
um conjunto de cordas desafinadas. Por meio da angústia,
Ele vai ajustando as cordas do nosso coração, Ele
se inclina sobre nós com ternura, ferindo a corda e escutando,
ouvindo apenas uma queixa áspera.
Fere de novo, enquanto o Seu próprio coração
sofre por nós, esperando ansiosamente por aquela melodia:
“Não
se faça a minha vontade e sim a Tua”
que
é doce aos Seus ouvidos,
como o canto dos anjos. E não cessará de ferir a
corda, até que nossa alma, disciplinada pela dor, se harmonize
com as harmonias do Seu próprio ser.
