Sair por ai jogando sementinhas de amor...

 

 

A M I G A

Marilena Ferioli Basso

Hoje, eu gostaria
De fazer um poema,
Traduzindo toda a alegria
Que eu sinto
Em ter você como amiga.
Os versos, teriam que ser lindos,
Para deixá-la feliz,
Porém não sei ainda

Por onde começar
Ou como agir.
Será que devo tentar
Sentir sua tristeza?
Ou será mais fácil
Gerar sua alegria?


Tristeza?
Não há chuva caindo
Para lavar as vidraças,
Como toda melancolia
Parece querer exigir,
Não tem lágrimas,
Nada está molhado
O rosto está sereno
A tristeza até sumiu daqui.
O violão está encostado,
Nenhum acorde soa no ar,
Não existe saudade doída
Nem incenso é preciso queimar...
Assim, não dá para versejar!


Alegria?
Gerar sua alegria, acredito
Será o grande desafio.
Estar ao seu lado em
Momentos de descontração,
Olhando para o céu
Vendo um balão subir,
Comendo pipoca
No carrinho da esquina,
Andando na beira da praia
Com os chinelos na mão,
Presença firme também ,
Naqueles momentos
De rápidas decisões.
Enfim, minha amiga,
O poema não consegui fazer,
Mas lhe deixo a certeza de que
O "EU" só começa a existir
Quando termina o "VOCÊ".
Num doce entrelace
Numa perfeita união.

 

CHUVAS de VERÃO

Marilena Ferioli Basso

O dia está quente,
o céu escurecendo,
trovões a ecoar,
relâmpagos iluminando o horizonte,
devagar a chuva começa a cair...
Olho pela janela, bendigo as gotas que caem,
o cheiro de terra molhada impregna o olfato,
uma sensação de alívio paira pelo ar...
A terra seca se rompe em fendas,
para absorver o liquido por ela esperado...
As plantas desanimadas e murchas,
se sacodem e se banham a vontade...
Os animais não procuram abrigo ,
fazem questão de andar pelo barro...
Eu, que também tanto a esperei,
que muitas vezes olhei para o firmamento
em busca de um sinal seu,
não resisto a tentação, abro a porta,
saio pela rua , me deixando molhar ...
Ah! que bom andar livre e solta,
sem lenço , sem documento,
sem destino de chegada,
apenas sentindo o corpo gelar
com a água da chuva...

Chuva , quanto te esperamos!
Não se faça de rogada !
Não demore para acontecer!
Na sua ausência,
tudo é triste,
tudo fica feio!
Venha com freqüência,
o sertão inteiro vai agradecer!

 

DEPOIS da TEMPESTADE

Marilena Ferioli Basso


Sempre se ouve dizer que só
depois da tempestade,
é que se pode começar a reconstruir...
Mas essa reconstrução é feita
sempre sobre os escombros que ficaram...
Os entulhos retirados das ruínas causadas
é que mostrarão todo o poder da destruição...
Muitas vezes a tempestade causa danos
tão grandes que fica difícil essa tarefa...
Quando fortes ventos abalam o
relacionamento de um casal ,
é preciso muito esforço de cada um dos cônjuges
para manter a harmonia no lar,
e fazer a confiança renascer...
Quando vendavais sopram entre amigos,
a lealdade se esvai e a desconfiança fica...
Reconquistar a cumplicidade é tarefa árdua...
Quando um tufão passa entre pessoas
de uma mesma comunidade,
os desentendimentos se generalizam,
e com muita dificuldade se consegue
manter um clima de harmonia...
Então, por que esperar pela tempestade...
Não seria mais fácil cada um ir fazendo
devagarzinho e bem feito a sua parte?
Sair por ai jogando sementinhas de amor
que pelos céus regadas logo florescerão...
Ir recolhendo as pedrinhas dos caminhos,
para que os viajantes que nos sucederem
encontrem os caminhos mais fáceis
e mais floridos para serem percorridos...
Então seria muito mais prazeroso dizer:
"Cada um colhe o que plantou",
do que ter de esperar para dizer

"Depois da tempestade vem a bonança".


MEU ETERNO NAMORADO

Marilena Ferioli Basso

Oi amor,
Venha cá,
Senta aqui
Bem do meu lado
Que eu vou lhe fazer
Uma confissão de amor.
Parece que vivemos juntos
Uma verdadeira eternidade,
Mas, se for friamente analisar,
Muitos dias ainda
Ao seu lado quero estar,
Do seu carinho desfrutar,
Essa cumplicidade aumentar.
Hoje , as palavras
Não são mais necessárias,
Apenas o olhar diz tudo
O que queremos compartilhar.
Meu velho e querido companheiro,
Quantas alegrias e tristezas repartimos,
Quanta luta e suor derramado
Para a formação de nossos filhos,
Quantas glórias desfrutadas
Ao contemplar o sorriso
Inocente e radiante dos netos.
Olho para seus cabelos
Já ficando da cor do algodão,
Descubro uma ruga , aqui e ali,
A circundar esses olhos azuis
Sempre brilhantes e confiantes.
Em mim também
O tempo deixou suas marcas.
Já não somos as beldades
Que éramos nos anos sessenta.
Ora, meu velho!
Esses são apenas os detalhes
Que mantiveram vivo o nosso amor.
Sabe, eu o chamei,
O fiz sentar ao meu lado,
Para que, olhando nos seus olhos
Eu possa confessar carinhosamente:
"Você , é o meu eterno namorado".

 

T E M P O...
Marilena Ferioli Basso

Depois?
A vida?
O sonho?
O tempo urge e corre
Sem que o possamos deter,
Carrega consigo,
Em forma de avalanches
A vida que passa,
E deixou de ser vivida,
O arrependimento chega,
Mas sempre com atraso,
Quando nada mais se pode fazer.

O sonho?
Fica sendo embalado,
Acalentado em mornas águas,
Não se desenvolve,
Marasmo total...
Fogem as perspectivas,
As ilusões de ir adiante,
Tanto faz se acontece
Ou deixa de acontecer...

Depois?
A ilusão de ser vida?
A ilusão de ser sonho?
O tempo arrasta os sonhos,
A vida foge do tempo,
Mas, o coração não cansa,
Carrega sempre uma doce saudade
Do tempo que já passou!

 

PARA SER FELIZ

Marilena Ferioli Basso

Para ser feliz
É preciso muito pouco,

É saber doar
Sem desejar nada de volta,

É amar de coração aberto,
Sem impor condições,

É agir na hora certa
Sem desculpas para depois,

Praticar o bem
Sem olhar a quem,

Dar o que comer
A quem tem fome,

Saber ouvir o desabafo
De quem está desesperado,

Enfeitar o rosto com um sorriso
Mesmo estando triste,

É saber despir-se do egoísmo
E calçar a sandália da humildade!

*****

E-mail da autora

marilenabasso@gmail.com

 

 

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