Poesias de Milamarian

Flores em cerejeiras, as folhas caem verdejando o prado em tons lilases

 

 

QUÃO GRANDE É ESTE TEU CORAÇÃO
~Milamarian~


Quão grande e soberbo é teu coração
e o meu todo se pende aos pés dos teus
em alegria e gratidão e grata sou a Deus
quando reflectes a tu'alma qual pura oração.

Emana aqui dentro deste pequeno ser
orvalhando junto às colinas aos fios,
no alpendre e no leito de tantos rios
sementes de luz e real bem querer.

No compasso se perde toda distância
e o tempo que passa, aos olhos pára
ante a imensidão da fina fragrância,

deste rubi que à verde terra empresta
amizade e então, me faz pequena seara
brindando c'o cálice de flores, em festa.


Em 16 de maio de 2008.

Pólen De Aquarela
Milamarian

À lesliebravin


Sobrevoa este oceano
pingo d'ouro d'outra dimensão
beija a lua, resvala o chão
é fio dourado e soberano.

Hialino alcança o arrebol
maná que irriga esta terra
vem do outono à primavera
é letra que irradia o rei-sol.

Reclina suave na tapera
(onde o telheiro é vermelho)
e cândidos versos prolifera,

Diz que é um grão de néon talvez...
cadente no versejar que leio
mas te digo: é pólen em buquês.

Em 3 de maio de 2008.

copyright © 2008

Leslie poetisa, aceita estes meus humildes versos como prova de toda a grande amizade que tenho por ti.
***MILAMARIAN***


Que bom poder aqui chegar...
é benção dos céus te encontrar,
das tuas conchas, pérolas colher
e eternizar, por todo o meu ser!
Milamarian


Como suave brisa aqui chegou...
e com poesia tua alma artesã mostrou,
das tuas mãos rolam pérolas formosas
são pétalas florais com essência de rosas!
lesliebravin*

Sândalo em Orvalho
Milamarian

Caem letras qual orvalho
alcançam em róseos tons;
nácar...beijo-te as mãos
neste imenso orquidário.

Suspensas, douradas ramas
pousam olhos, esperança
nas searas das lembranças
incensando monogramas.

Febre... palavras cálidas
vertem a exuberância;
então, tiro as sandálias,

prostro-me ante a valsa
desta tão fina fragrância
a refletir a tua alma.

28 agosto 2008

Menino Das Avelãs
Milamarian


Menino das avelãs risonhas
no outono de caras pintadas
teus olhos de alegria anilada
amornam o âmago que sonha.

Na tenra planura se desprende
o calor dos formosos areais;
quando a rubra folha dos varais
emerge de dois qual quociente.

De Abela, fruto sumarento
tua esfera num giro resistente
moveu terra, mares e vento

e sem pesar na alma, tua lide
transpirou o fado proveniente
da noz, que a ti ora me colige.


Em 23 de outubro de 2008.


BOTÃO
Milamarian


Quis-te no outono reanimado
no clamor do lume em chama
a idear no ar, nas verdes ramas
e na água ao côncavo alinhado.


Aos olhos uma vaga ternurenta
a banhar ardências desenfreadas
velava a vergôntea avermelhada
viçosa! Que primaveril engendra!


Sonho de esperança esverdeada
que espero ante o pêndulo dourado
no risonho tempo desta jornada


repicam bronzes nas horas contadas
quando tu, puro botão aqui aportado
dás-me por dentro, a vida sonhada!


Em 19 de outubro de 2008.



A Brisa
Milamarian


Vieste! Em leves beijos à face,
movimentar o ventre feito valsa,
dedilhar entranhas numa pauta
E sorrir carinho em perpasse.

Tanger o cerne, harpejar o todo
com rosáceas repletas de vida;
dos rebentos da mais nobre cidra
espargir ternura na água e fogo.

Filete puro de maná a abençoar
a seara onde corre a fina seiva
mescla de azul-céu e verde mar,

ao vértice, tu, sopro de sul a norte,
passaste entre taperas e aldeias
atestando que tu és aragem forte.

Em NY, 17 de outubro de 2008.


PRINCÍPIO SUPREMO
Milamarian

Vive em mim o adereço da aurora
que desponta a luz da imensidão
ritmando minha alma e coração
ao Eterno, luzir de minhas horas.

Não há pranto aqui que se demore,
e se, em duras penas minha estrada
sigo Dele, a claridade em escalada,
sorvo da Sua Grandeza, num só gole.

Sonho a ventura que Ele me reserva,
peregrina sou em busca de paz e amor
sabendo em mim, que só Ele espera,

levo comigo, pautas de erros e glórias
mas entalhados, minha fé e todo louvor
a Ele, que é seiva de toda minha história.

Em 7 de junho de 2008.

 

ABELHA-RAINHA
Milamarian

Espalhas amor e amizade
ladina saindo de teus favos
derramas o néctar nos alvados
mel de amor em flanar tão suave!

Mordiscas a essência em gota
nas silvestres amoras da alegria
e entregas na canção a alquimia
panacéia em cor que não desbota!

Porque sublime é teu vôo altaneiro
astro de luz que resvala vinhas em flor
tuas asas carregam o orvalho primeiro

e hoje nestes campos é tua a ternura
que se faz na essência do amor
Abelha... rainha dos céus de candura!

PRIMAVERA
Milamarian

Presente, tu, primavera que andei
num festivo laço ornado em pedrarias
dentro de mim, frescor da terra...vida
pusera bem aqui, o amor que sonhei!

Florescendo outra vez mais, e mais
voltaste ligeira qual brisa tão meiga
e a rosa nascente no papel manteiga
bordaste! Soprando todos meus ais.

Primavera, acolhida de amor e paz
tu balouças nas reverdecidas ramas
os dois rubis, aos sons celestiais

devolvendo a graça da feliz espera
o amor, com o olor da úmida grama
onde a nuança não é mais paralela.

Em 5 de junho de 2008.

 

CIDADE DAS ÁGUAS
HIROSHIMA DO AMOR E PAZ
Milamarian

De tão triste história, és alma e coração
ventre pálido de belezas assombradas
onde a catedral permanece "intacta"
ao sofrido olhar do povo, tua nação.

Vale apontado nas ribeiras mais formosas
o Mar de Seto, transbordante, ao Sul te corta
carpas nos riachos murmurantes a tua volta
sorriem ao sol nascente e às flores montanhosas.

Ao chão, posto por estupidez, os inocentes,
lavrando na lembrança, o rio vermelho,
maculada água, levando-te as sementes,

silenciosa urbe, que tuas vertentes de amor
girem os sentidos, a todos qual espelho
e reflicta na história, das águas o real valor.

Em 24 de maio de 2008

JUNQUILHO
Milamarian

Tu, dourado perfume de fina erva
incensando sereno o silvestre ar
és flor primeira na brisa a balouçar
o amor qual Adão junto a sua Eva.

Sagrada e elegante campânula branca
nas reverdecidas folhas tu garantes
o desabrochar da quinta lua no mirante
onde és fruto das nobres covancas.

Perene é tu'alma no solo deste poema
quando teu cerne esguio curva e deita
tanto respeito ante o sol e o emblema.

Alvo junquilho do xilema vermelho
duplicando a corola sangras tua seiva
em minha verve, no meu fértil lenho.

Em 8 de maio de 2008.

 


ENTRE AMÊNDOAS E OLIVAS, A CEREJEIRA
Milamarian


Navega a jangada na albufeira
onde falésias não estremecem
nem no frio inverno arrefecem
ante a calidez da amendoeira.

Amendoeira de trás do monte
da doce essência da tua semente
eu sorvo o mel e sigo em frente
rumo ao badalar do fino bronze.

Amêndoa tua, fruto da minha sorte
a algarvia polpa no veludo emana
o maná neste portal de sul a norte.

E em bençãos, a fidalga oliveira
com tanto amor tilinta a campana,
prenúncio do encontro das ribeiras.


Em 9 de maio de 2008.

 


COLHEITA DE PRIMAVERA
Milamarian

Na pedraria solta da imensa estrada
em firmes passos, sólido e robusto
seguia ele, entre as vinhas, augusto
deitando pérolas em pinceladas.

Sua pele, de tingir já bronzeada
refletia a luz da formosa nascente
onde à seara lançara (tão paciente)
fecundos e jalnes grãos na estiada.

Por onde caminhava ia quebrando
o pranto da alva neve e do outono.
Ora na pedra, com o grafite brando,

firme e seguro risca e rabisca
reverte a tornada do último tomo
e infrene em mim se multiplica.

Em 12 de maio de 2008.

 

BANDEIRAS
Milamarian

Pendão que tremula na tenra planura
beijando brumas, em teu cortês broquel
amparas as douradas cores do anel,
onde brilha teu ventre em formosura.

Bandeira das andorinhas eu te bendigo,
nas reverdecidas relvas tu desfraldas
majestosa e junto à minh'alma descalça
triunfas no anil deste sagrado postigo.

Estandarte, qual pluma de ave balouças
num godê tu ondulas o som da gálea
junto ao peito, quando a voz já rouca,

deixa o glorioso íris invadir folhagens,
e tu borrifas sobre as cálidas lájeas
tua verde cor, mesclando linhagens.

em 13 de maio de 2008.

 

P A Z
Milamarian


Por ti clamam os anjos-crianças
na esfera carente de amor e mel
são trigo junto ao joio, licor no fel,
inocentes semeando a esperança.

É teu o nome, mas cavernas ocas
não ouvem o eco já desesperado
das vozes ao redor do trigal nublado
pela palavra que sai da estéril boca.

Searas cobertas pelo triste amargor
de almas afoitas pelo brilho do ouro
esquecidas do Tudo que É o Amor...

Pedem elas, para que futuro tenham
rezam para que sejas tu o tesouro
em meio à erva-daninha, a verde hera.

Em 17 de abril de 2008.

 

Leveza Que Vem dos Céus
Milamarian
À Luz Sampaio

O vento bateu firme e forte
brisa que vinha daquele sul
onde bem sei a azálea é azul
bruma no céu rumo ao norte.

Quiçá airosa borboleta
trazendo nas asas a ternura
de sua alma sem nem hulha
e o pólen junto à sua paleta.

Pousa aqui todo o jaspe de ti!
Tu que és daquele arrabalde
e tua essência é alvo organdi,

com a leveza do verde trigal
e traspassa searas e mares
nesta terra e noutra qual sal.

Em 19 de abril de 2008.

 


Solidariedade
Milamarian

No dom de amor que Deus me dera
abro as mãos e se há algum talento
fecho os olhos e todo pensamento
sobre o girar desta humilde pena.

Não olvido... a tarefa se confere
e se miro em desespero o catre
fujo de mim e ali meu escarlate
eu entrego, pois o abrigo é só pele...

Ontem, hoje e amanhã eu me rendo
recordando, o caminho é único
contudo...ocasião não tem momento,

se dorme o horizonte sem lembrança
dôo o íris do primeiro ao último
para florir outros céus de esperança.

Em 28 de março de 2008.

 


E gira a esfera...
Milamarian


Flores em cerejeiras, as folhas caem
verdejando o prado em tons lilases
soltam-se na amplidão, qual finos ases
aqui e acolá, o pólen atraem.

Na doce valsa nascem vivas cores
no ciclo da vida outra primavera
milagre contínuo na quadra esfera
renovando na paisagem os olores.

Penso ser miragem, o paraíso
quando miro o róseo intercalando
montanhas e a seara onde piso,

apetece-me borboletas abraçar
amarrar todo o cerne ao canto
girando em mim este eterno amar.


Em 13 de março de 2008.

 

Torres del Paine
Milamarian


Paraíso_silhueta, almofada de montanhas e riachos
na última fronteira naufragada caravela em água fria
sob alvas e úmidas brumas qual fina e suave pedraria
da mais pura natureza, abertas portas d’um palácio.


Infinito de estepes envolto no nevoeiro que revela
nhandus em graça correndo aos pés da cordilheira,
duas torres incongruentes a prumo em visão perfeita
elevam-se na harmonia delicada e suave da biosfera.


O cimo dos teus montes aquarela o verde esmeralda
contrastando ao azul turquesa de lagos em degelo
num cascatear de água_areia formando u’a grinalda,


e no glorioso firmamento, estampa de tanta imponência
resvalando altivo no cristal das mansas nuvens ao delineio
desfilas a elegância perfilada aos ventos em turbulência.


Em 17 de novembro de 2007.

PANTANAL
Milamarian


Alpendre que abriga fauna e flora em rios e cabeceiras
percorrem e inundam os teus veios, águas sem receio
da tua seiva transbordante o dourado brilha em meneio
desenhando no pincel, ariranhas e tuiuiús à tua beira.


Chanura de águas doces, riachos e vazantes de rara beleza
teu manto nas quatro estações, de norte-sul no leste-oeste
veste e reveste rasas dunas banhando o azul alviceleste
em chuva de cristais o bebedouro, das crias, fortaleza.


Contraforte da cordilheira estendido qual nobre vergel
onde à sombra dos angicos, mandacarus e das palmeiras
descansam jaçanãs e jaburus, beija-flores embelezam o painel,


mosaico de três cores, a cada amanhecer o bugio te saúda
e o vento balouçando as orquídeas entre as folhas da aroeira
acorda no leito de teus lagos o jaú junto às flores da piúva.

Em 14 de novembro de 2007.

 

GERMINAR
Milamarian


Escorre cristalina água e me aponte
no leito deste rio a nuança multicor
que me abarque a alma ao horizonte
num só adorno da cerejeira em flor.

Cascata permeie a verve e decante
a folha seca que farfalha o coração
e em teu solo subirei perseverante
deitando em meu viver um' oração.

Amaine então o bramir do vento forte
lavando as ruínas deixadas na estrada
do levante ao poente, de sul a norte

e permaneçam assim o arco e o brasão
dentro de meu cerne a cada alvorada
espelhando amor nesta e noutra estação.

Japão

 

A PEQUENA FOLHA
Milamarian

Desce e resvala o chão em silenciosa e fina cascata
qual gota suave em azul-celeste o canto desprende
da seara ao monte em amor, germinando a semente
envolta em fios de luzes, véus de sedas e cantatas.


Aspira das pétalas e orvalha a mansa relva assim
despindo-se da melodia outonal espalha na brisa
do teclado ao poeta, o coração e a alma da poetisa
entregues somente a ele num sentimento sem fim.


Ensaia o canto das dunas entrelaçadas naquela esfera
qual delgada estrela se deita e abrilhanta o fino papel
tranformando cada outono_inverno em verão_primavera,


não importando se será neste mesmo tempo ou espaço
pois ela sempre estará colorindo e espelhando no painel
o amor verdadeiro e eterno inundando todo e qualquer regato.

Japão em 17 de agosto de 2007.

 

ALPENDRE DE ESTRELAS
Milamarian

Delineio em meus olhos entrelace de cristais
espelhos estendidos qual cristalino veraneio
quando em sorriso sorvo as vertentes e cacheio
tantos prados, e assim serpenteio madrigais.

Volta e meia, vira a esfera em forte enlace
abriga esta serra que envolve e se faz esteira
saltitante entre os doces vales, sou a cerejeira
vestida em azul grinalda, manto em traspasse.

Caminho sob o alpendre que aqui me abarca
e o brilho da cadente qual bruma em cascata
faz clareira, ilumina a sombra que é fraca,

mergulho na prata preenchendo em dourado
o luar que num afago abraça minha cantata
incensando céus com o perfume adocicado.

QUE SEJA A MINHA VIDA...
Milamarian


Que seja a minha vida,
tripulante nas gôndolas das pronúncias
carregadas somente de boas notícias
exaltando o amor nas entrelinhas.

Que seja a minha vida,
o constante desejo de repartir
verdadeiros sentimentos e insurgir
contra as impurezas sentidas.

Que seja a minha vida,
repleta de coragem nos desafios
em firmes passos nos caminhos escorregadios
desfazendo em mim qualquer covardia.

Que seja a minha vida,
um suave sentir em qualquer temporada
e sobreviva em mim o brilho das alvoradas
nestas águas que não voltam mais!

Japão

 

Reinado de Paz
Milamarian

O mar se agita em grandes ondas
contra as pedras se atira e ela vê
transparentes bolhas qual buquê
à luz do sol, conchas vêm à tona.


Sobem e descem, borbulhas que são
uma chuva fina, pequenos elos no arco
juntas estão, não de um íris esparso,
minúsculas gotas, mas em coesão.


Um carrossel de lantejoulas
num infinito de cores, todas belas
balouçando o verbo, gota-a-gota,


caem em pingos na areia da praia
e na maciez o desenho da auréola
é do favo que somente mel orvalha.
Em 17 de dezembro de 2007.

 

INSUBSTITUÍVEL
Milamarian

Colho em cada grão espalhado nestas terras
a paisagem eterna de meu amado berço
das andorinhas nas manhãs em terno concerto
dos amarelos ipês cobrindo aquelas serras.


Descansa em meus olhos a doce lembrança
da sombra da velha árvore em rósea flor
dos encantos daqueles tempos de criança
a balouçar ao suave vento em alva cor.


Hoje segredo toda saudade à minha cerejeira
no outono de tão lindas folhas vermelhas
bailando silente ao som de mais uma centelha,


entristecida pois não pode substituir da paineira
fortes raízes fincadas e que sangram neste quintal
a sagrada seiva do meu sublime e eterno manancial.

Japão - 19.10.2006

 

INDELÉVEL
Milamarian

Secam as águas das cachoeiras
flores desmancham-se ao orvalho
sinos não badalam no campanário
porque nada há nas jardineiras.

As rosas todas foram colhidas
e entregues naquele verso
plantadas em lilás à céu aberto
e assim permanecem em sobrevida.

Profundas e verdadeiras raízes não abrem
criam folhas, fechadas em aliança eterna
lançadas à espera do novo dia que vem,

rasgam o solo e se firmam na terra
a fonte não seca, no inverno hiberna
germinando verão de sonhos, alegria de primavera.

Em 20 de setembro de 2007.

MENSAGEM A MEU PAI
Milamarian

Presente em minhas lágrimas de saudades
no anil dos céus és doce lembrança
sublimando em canto a eternidade
da tua nobre perseverança.

Sereno e imaculado olhar que me acolhe
na distância tua voz é afago em meu coração
E no marejar destes meus olhos
é por teu nome que peço em oração.

Diamante precioso lapidado em meu peito
em benção imaculada recebe esta minha sobrevida
sobrevoando os sete mares em eterno respeito.

E do último beijo em tuas mãos na nossa despedida
recolhido almíscar de teu semblante em meu camafeu
verte quente nas entranhas neste sangue que é teu.

POEMA SEM NOME
Milamarian

Hoje sou eu quem não sabe o que dizer
pois as palavras fogem, o céu se encobre
e a alma se envolve nas lágrimas tristes deste viver
deixando tão vazio o tapete de caídas folhas que me acolhe.

São tantos versos calados pela triste verdade de meu ser
que afloram em lágrimas nos meus olhos a todo instante
vacilam-me as mãos na lua que se põe em mim minguante
estrelando só e tão somente aquele que não pode mais renascer.

Incineram-se as alegrias em qualquer outra quimera
são vazios versos pelas tábuas isolados em outros mares
rasgados nas berlindas imaginárias de uma distante primavera

e das consumidas flores pelas chamas nos varais
restou apenas uma purpúrea folha oscilante nestes ares
sem um crepúsculo de esperança a sangrar em tristes ais.

Japão - 14.10.2006

 

AMIGO
Milamarian

Amigo é ser nas minhas manhãs
flor que enfeita o enevoado jardim
dedilhando as cores do jasmim
em raios de sol ser luz no meu chã.

Meu amigo é alvorada que me enriquece
com as gemas colhidas nas madrugadas
debaixo da chuva nesta enseada
entregando o perfume da beleza silvestre.

Encobre do ar o incenso de outra geada
e se faz neste céu, da neve que cai
flocos de seda hibernando na invernada

pois o calor que emana é grande e me aquece
e pela estrada é carinho que não se esvai
permanece aqui dentro e me fortalece.

MARAVILHAS QUE SE VÃO
Milamarian

Tem a vida maravilhas tantas
basta sentir das flores o orvalhar
doce... macio qual suave amar
e no âmago em paz agiganta.

Olhassem os homens às raízes
que crescem e firmam em prece
e do egoísmo onde fenecem
saíssem...se mudasse a marquise...

Um alpendre regado de amor
onde novas gemas da fértil terra
quiçá germinassem sem pavor

dos fortes ventos ao chão batido
da fúria do mar junto à serra
e ao Universo já combalido.

ESTRELA-GUIA
Milamarian

Miro-te... no firmamento resplendente
veja! pirilampos em clarão de bondade
surpreendem-se ao fogo confidente
que emana de tu'alma e à terra invade!

Queda-se na face oposta em suave pluma
abrindo cachos de rosas na sagrada prece
os dourados círios em louvores abastece
onda de amor que no céu se avoluma!

Por que és cadente estrela que não pára
guiando tua candura em contínuo rastro
caudal de luz nas noites que resvala

a mansa claridade na palavra enunciada
vibrando as chamas até mesmo do rei astro
ante os teus versos... deitados na esplanada!

 

Um Natal de Amor
Milamarian

Cai a neve e o silêncio se instala
badala o sino da capela é a hora
a estrela-guia em luz de aurora
a alfazema ao firmamento propala.

O remanso se aquece c'o a luz da lua
uma gota espalha o som ao vento
os anjos em amém num só momento
a terra se prostra e a água marulha.

A colina esbranquiçada se revela
sorri a floresta em verdes chamas
os colibris em beijos à aquarela,

todo o recanto se pende ao dulçor
Daquele que só carinho e paz emana
o Filho de Deus, Imensidão de amor.

Em 6 de dezembro de 2007.

A CHRISTMAS WITH LOVE
Milamarian
The snow falls down and silence comes
at the Chapel the bell chimes, it's now
the Star of Bethlehem as light of dawn
the lavender to the firmament disperses.

Under the moonlight the tranquility warms up
one drop spreads out the sound to wind
in amem the angels at only one moment
the land bends in prayer and water laps.

The whitish mount reveals itself
in green flames the florest smiles
hummings to aquarelle in kisses,

all the refuge inclines for the pleasantness
from The One that only caress and peace breathes
The God Son, Imensity of Love.

2007, December, 6th.


E-mail da autora

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